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Papa missionário


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Ontem, 3º domingo de outubro, comemorou-se o Dia Mundial das Missões. Inspirando-se nessa data, há muitos anos a CNBB estabeleceu outubro como mês missionário em todo Brasil. Ademais, o ano de 2003 está fortemente marcado por iniciativas missionárias. É o Ano Vocacional com o lema: Batismo, Fonte de todas as Vocações, frisando que as todas pessoas batizadas são chamadas à Missão.

Neste ano, realizou-se em Belo Horizonte-MG, em julho, o 1º Congresso Missionário Nacional. Neste mesmo ano, de 25 a 30 de novembro, na cidade de Guatemala da Assunção, capital do país homônimo, na América Central, será celebrado o 2º Congresso Missionário Americano juntamente com o 7º Congresso Missionário Latino-Americano. No fundo, trata-se de um único Congresso abrangendo a América toda. Tema desse Congresso: A Missão, Anúncio do Evangelho da Vida, Tarefa Fundamental do Povo de Deus Peregrino na América. Lema: Igreja na América, tua Vida é Missão.

Todos esses eventos estão nos conclamando a refletir sobre a característica missionária de nossa vocação batismal. Pelo Batismo Deus nos destinou a sermos seus filhos, todos irmãos e irmãs universais, membros de uma mesma Família que é a Igreja. Pelo Batismo Deus nos chama e nos envia, em modos diferentes, para anunciar ao outro o evangelho, além das fronteiras de nossas famílias, comunidades e do próprio país. Somos todos sujeitos da missão, como pessoas e como comunidade. Missionários do Reino de Deus.

Sobre todo cristão pesa a responsabilidade eclesial de ser missionário com a palavra e o testemunho de vida, com abertura ecumênica e sem proselitismo. Se grande é essa responsabilidade, confortador é pensar que o Espírito Santo é o grande impulsionador e protagonista de toda ação missionária. Nestes dias, de 16 a 22 de outubro, jubilosa a Igreja está celebrando os 25 anos do Pontificado de João Paulo II. Ele se nos apresenta como o protótipo do missionário. Nenhum papa como ele, foi tão missionário “ad gentes”, isto é, para outros povos.

Até hoje ele realizou 102 viagens, visitando 130 países. Os dias viajados eqüivalem a mais de 3 anos. Anunciou a Palavra de Deus pronunciando 19 mil discursos ou sermões, sempre na língua do país anfitrião. Impressionante o número de quilômetros percorridos: 1.246.000. Como sucessor de Pedro, ele é Bispo de Roma. Nessa missão episcopal realizou 301 visitas a paróquias dessa cidade. No recinto do Vaticano presidiu a 1.100 audiências especiais, em contato com mais de 18 milhões de pessoas das mais variadas nacionalidades e profissões. No exercício do magistério petrino, escreveu 65 documentos, abordando temas teológicos, pastorais e sociais que respondessem às mais prementes exigências do mundo moderno. Esses documentos, seus discursos e sermões, suas alocuções toda Quarta-feira na hora do Angelus, etc., constituem uma verdadeira “enciclopédia pontifícia.”

No Brasil ele esteve três vezes e por três vezes inclinou-se para beijar o solo de nossa pátria. Seu rosto sorridente ou cansado, seu olhar carinhosamente paterno, suas palavras de fé e sobretudo suas atitudes e gestos espontâneos estão profundamente gravados nas mentes e nos corações de milhões de brasileiros. Continuaremos cantando e rezando: “A bênção, João de Deus! Este povo te aclama. Tu vens em missão de paz. Sê bem-vindo e abençoa este povo que te ama!” Para João Paulo II calham plenamente as palavras missionárias: “Tua vocação, tua vida é missão!”. Respeitosa e filialmente olhemos para o venerável ancião que, mesmo alquebrado pela idade e pela doença e movendo-se numa cadeira de rodas, continua a missão que Deus lhe confiou. (O autor, Lourenço Maria Papin, é frei)

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