Economia & Negócios

Escolas buscam novos alunos com os concursos de bolsas

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Às vésperas das provas finais nas escolas de Bauru, nesta época do ano muitas crianças e adolescentes estão estudando ainda mais para outro tipo de teste: os concursos de bolsas. Grande parte dos colégios particulares da cidade oferece esse recurso - uma maneira de atrair mais clientes e ter bons alunos em seus quadros -, que começam até mesmo para alunos da 2.ª série do ensino fundamental, crianças na faixa dos 8 anos.

Na maioria, as escolas oferecem descontos de até 50%, mas há quem ofereça bolsas integrais. De acordo com Gérson Trevizani, diretor de um colégio de Bauru, o útlimo concurso realizado por sua escola teve a presença de 1.500 candidatos a 30 bolsas na 1.ª série do ensino médio - destas, apenas duas integrais.

Para o educador, a presença de bons alunos é uma “jogada de marketing” para a escola. “Aluno bom dá resultado. Faz o nome da escola não só em época de vestibular, mas em tudo”, diz. Além disso, conta Trevizani, é uma oportunidade para apresentar as instalações e o sistema de ensino aos alunos de fora e atualizar o cadastro.

De acordo com a diretora de outra escola, Maria da Graça Nazar, a concessão de bolsas via concurso já é uma “tradição” na instituição. O colégio oferece bolsas de até 50% para alunos que estão ingressando na 5.ª série do ensino fundamental e na 3.ª série do ensino médio, cujas parcelas da anuidade (13 meses) variam de R$ 420,00 a R$ 530,00, respectivamente.

Para a diretora, o concurso abre as portas da escola para clientes diversificados, que podem vir a se matricular mesmo sem obter descontos. “Ao realizar o concurso, os alunos conhecem a nossa escola, nossa organização”, diz. Além disso, ela observa que há um viés econômico no concurso: “O interesse é muito grande (dos pais). O aluno que vem, faz o concurso e consegue desconto, gera reflexos na economia do lar.”

Mesmo colégios que antes não ofereciam o recurso agora realizam o concurso para atrair novos alunos e manter os antigos. Neste ano, a instituição dirigida pela irmã Márcia Cidreira faz seu concurso de bolsas pela primeira vez. “As pessoas acreditavam que, por ser um colégio de religiosos, num prédio bonito, o valor da mensalidade fosse altíssimo. E, na verdade, não é”, afirma. E completa: “Foi uma oportunidade para o pessoal vir até a escola, conversar com a gente.”

O colégio oferece descontos de até 50% para alunos da 3.ª a 8.ª séries do ensino fundamental - são seis “vagas” por série, em média. Irmã Márcia afirma que a procura tem sido grande, principalmente pela questão financeira. “Nós temos hoje uma situação social muito complicada, muitos pais desempregados, com necessidades grandes”, diz.

Com chance

Carolina Barros, 10 anos, aluna da 4.ª série, e sua mãe, a assistente social Maria Helena Arrabal Barros, concordam que obter uma bolsa seria vantajoso para as duas. “Seria melhor conseguir pela minha mãe e por mim. Para mim, para aprofundar meus estudos e, para minha mãe, para ela não pagar tanto. Foi uma escolha das duas”, diz a menina.

Na opinião de Maria Helena, uma bolsa de 50% significaria mais de R$ 100,00 por mês de economia. Na avaliação dela, também é uma chance para a filha sentir a concorrência que vai enfrentar daqui alguns anos, quando prestar vestibular. “É a primeira vez que ela concorre com várias pessoas, é interessante”, avalia. Carolina, que já começou a estudar para o concurso, acredita que pode conseguir o desconto. “Se eu estudar bastante, eu tenho chance”, diz.

Com outros interesses, o estudante da 8.ª série Gabriel Suzuki, 14 anos, conseguiu 50% de bolsa para o 1.º colegial, mas pretende estudar num colégio técnico estadual. O concurso, diz ele, foi feito a título de “teste”. “Não estudei especificamente para o concurso de bolsa. Fui com o conhecimento que eu tinha mesmo”, acrescenta.

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