Um vazamento na adutora que leva água do rio Batalha para a Estação de Tratamento de Água (ETA) comprometeu o abastecimento dos reservatórios de Bauru durante todo o dia de ontem. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi obrigado a desligar as três bombas de captação para consertar o problema.
A população em geral não ficou totalmente sem água porque os reservatórios da autarquia e das residências amanheceram cheios, o que garantiu que suportassem a demanda do dia. O rio Batalha é responsável pelo abastecimento de 42% da cidade, nas regiões do Centro, Vila Falcão, Vila Independência e zona sul (Jardim América, Aeroporto, Higienópolis, Estoril e Altos da Cidade).
De acordo com a assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, o vazamento foi provocado pelo rompimento de um anel de chumbo, chamado de chumbada, que faz a ligação entre dois canos.
No ponto onde ocorreu o problema, a tubulação passa sob a terra e por isso a hipótese mais provável, segundo Faria, é de que o solo tenha sofrido uma acomodação, causando pressão nos canos. O conserto foi concluído no final da tarde e a previsão era de que o abastecimento fosse normalizado ainda à noite.
Os funcionários da autarquia que trabalhavam no local durante a manhã contaram que o vazamento foi descoberto por volta de 8h. Devido à força da água, a vazão foi muito grande, inclusive abrindo grandes veios na terra. Para vencer o desnível de 1,5 quilômetro do rio até a ETA, o DAE conta com dois motores de 600 cavalos de potência, um para cada cano da adutora.
Faria explica que a tubulação já tem mais de 30 anos, mas ainda não está deteriorada e o DAE não tem planos de trocá-la. São cerca de 2,5 quilômetros de canos de chumbo de 24 polegadas cada um, revestidos com uma camada de piche. Os dois juntos levam aproximadamente 500 litros de água in natura por segundo para a ETA, no Jardim Ouro Verde.
Depois do tratamento, a água segue para os reservatórios da própria estação, do DAE, da Praça Portugal e da avenida Cruzeiro do Sul, nessa ordem. Na opinião do engenheiro civil Eric Fabris, que foi presidente do DAE entre 1993 e 96, ainda não seria necessário trocar a tubulação da adutora.
“Ela é da década de 70. Mas não é tão antiga para já estar na hora de trocar. Como é uma adutora de chumbo, tem uma vida útil, no mínimo, de 50 anos. Tivemos problemas de vazamento umas duas vezes (durante sua gestão), mas não é comum”, afirma Fabris.
Nível do rio
No início deste mês, o nível do rio Batalha estava cerca de meio metro abaixo do normal, devido à falta de chuvas na região.
O DAE chegou a desligar uma das três bombas de captação e iniciou uma campanha pedindo à população que economizasse água. Este foi o quinto ano consecutivo em que o nível do rio apresentou queda no mês de outubro.
Com as chuvas no fim de semana dos dias 11 e 12 de outubro, o nível do rio voltou ao normal e a terceira bomba foi religada. O abastecimento foi normalizado.