O aposentado Archimedes Marins Machado, 75 anos, que era paciente da unidade de hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru e precisou ser internado no início do mês após se sentir mal durante uma sessão do tratamento, morreu na última quinta-feira. Ele é a terceira pessoa que freqüentava a unidade a morrer desde o final de setembro.
A sobrinha do aposentado, Rita de Cássia Machado Paes, reafirma que a principal suspeita da família é que ele tenha sido contaminado enquanto fazia o tratamento. “Ele fazia hemodiálise há cinco anos e nunca foi internado com febre altíssima, a ponto de ir para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Lá, ficou meio período e já entrou em coma”, diz.
No início de outubro, a unidade de hemodiálise do HB foi fechada para reparos depois que alguns pacientes reclamaram de mal-estar durante o tratamento. O hospital constatou que havia toxinas bacterianas na água utilizada na solução de diálise, providenciou a troca da tubulação, peças e filtros e aguarda, agora, o resultado da análise da água para saber se o problema foi solucionado e reabrir o setor.
Rita diz que a família vai aguardar o resultado desses laudos e da investigação que está sendo feita pelo hospital antes de decidir que providências pretende tomar. Segundo ela, o atestado de óbito do tio traz como causas da morte insuficiência cardiocirculatória, septicemia e insuficiência renal crônica.
No início do mês, João Lopes Sanches, 68 anos, que também utilizava a unidade de hemodiálise do HB, morreu vítima de infecção. A família afirmou, na época, que ele também havia passado mal enquanto fazia a diálise. O caso está sendo investigado pela direção do hospital.
Um outro paciente já havia morrido no final de setembro, mas, de acordo com a nefrologista do HB, Maria Regina Trotta Pinheiro, este caso não teria relação com a contaminação da água.
Viagem
Enquanto aguardam a reabertura da unidade de hemodiálise do Hospital de Base, esperada para a próxima semana, os 105 pacientes que utilizavam o local estão se deslocando três vezes por semana até outras cidades, como Jaú, Marília, Botucatu, Piracicaba, Lins, Araraquara e São Carlos para continuar o tratamento.
Além do desgaste pelas horas perdidas na estrada, alguns pacientes também reclamam da falta de conforto no transporte. “O ônibus é um pouco apertado. O tratamento em si está dando resultado, mas a viagem é muito cansativa. Depois de quatro horas de hemodiálise, enfrentar mais duas horas de viagem é duro”, afirma Maria Aparecida Ramos de Andrade, que ontem à tarde se preparava para ir a São Carlos.
O ajustador mecânico Fernando Ramos concorda. “O ônibus é muito pequeno. Temos recebido um lanche do pessoal do hospital em que estamos fazendo o tratamento, mas na volta não recebemos nada”, reclama.
A assistente social da Associação Bauruense de Apoio ao Renal Crônico (Abrec), Romilda Pinheiro Orlandi, diz que a entidade está fazendo um trabalho para tentar amenizar os transtornos que os pacientes vêm enfrentando. “No momento, estamos trabalhando junto com a nossa psicóloga para que eles tirem o melhor proveito da viagem”, diz.
A reportagem entrou em contato com o administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), responsável pelo HB, José Cardoso Neto, mas ele não foi encontrado para falar sobre a reforma da unidade de hemodiálise e as condições de viagem dos pacientes.