A delegada-assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Cláudia Garms Armani, encerrou ontem o inquérito que investiga supostas irregularidades na compra de equipamentos feita pela Câmara Municipal no ano passado. Uma das conclusões é de que a falta de organização no setor responsável pelo recebimento das mercadorias contribuiu para que não houvesse registro de entrada dos produtos.
O Poder Legislativo adquiriu softwares, refis de tonner para a máquina de microfilmagem e uma lente zoom, mas os funcionários do setor de recebimento afirmaram, durante depoimento, que não havia registro da chegada do material que, depois de desaparecer do Legislativo, posteriormente apareceu misteriosamente no prédio da Câmara.
“Essa mercadoria chegava e, às vezes, era entregue diretamente no setor. Outras vezes, ficava no arquivo e outras, ainda, na diretoria administrativa. Eles não tinham um local certo para colocar o material que chegava. Essa falta de organização pode ter sido involuntária ou até com o propósito de se dificultar alguma apuração”, afirma a delegada.
Cláudia revela que outra conclusão é de que o setor financeiro da Câmara ficou sobrecarregado depois que um dos três funcionários foi transferido para outra função. “Segundo o diretor financeiro Pedro Fortunato, isso desestabilizou o setor. Devido ao volume muito grande de trabalho, algumas irregularidades passavam despercebidas por ele e pela outra funcionária”, declara.
A delegada apurou que a transferência da servidora Vera Regina Agnelli foi sugerida pelo ex-vereador Roberto Bueno (PTB), que depôs ontem. “Ele alega que estava pedindo a saída dela porque eles tinham feito o remanejamento do espaço físico do prédio e no espaço em que ficaria a diretoria administrativa, não tinha como três funcionários trabalharem. Ele optou por tirá-la de lá”, diz.
Descumprimento
Outra conclusão do inquérito é que a resolução interna da Câmara que especifica a atribuição de cada funcionário não foi cumprida durante a gestão do ex-presidente Walter Costa (PPS). “Ele alegou que nem tinha conhecimento dessa resolução. A funcionária Zilda Maria Costa Joel jamais poderia responder pelo setor de finanças e de contabilidade ao mesmo tempo”, afirma a delegada.
Cláudia conta que o inquérito segue, agora, para ser apreciado pela Justiça. Ela ainda está cuidando das investigações que apuram as circunstâncias em que o ex-vereador Osvaldo Paquito (PPS) gravou um diálogo com o também ex-parlamentar José Humberto Santana (sem partido).
A gravação foi feita na véspera da votação do relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que sugeriu uma Comissão Processante (CP) para Santana. O diálogo aponta que vereadores estariam cometendo irregularidades, especialmente quanto a viagens e uso de carros oficiais.
Segundo a delegada, ainda não há um prazo para que esse inquérito seja concluído. “Ele estava no Fórum e eu o recebi na semana passada, mas a Telefonica ainda não me forneceu uma resposta conclusiva”, diz.
Ela se refere ao pedido de informações sobre ligações telefônicas enviado à empresa. O objetivo é descobrir de onde teria partido o telefonema. Paquito chegou a assumir publicamente que a gravação foi feita na residência da sua assessora de gabinete, Renata Cristina Aielo.