Regional

Parlamentar é indiciado por tráfico

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Barra Bonita - O vereador Marcelo Cavinato (PT), de Barra Bonita (68 quilômetro a Sudeste de Bauru), foi indiciado pela Delegacia Seccional de Polícia de Jaú por tráfico de drogas e associação para fins de tráfico.

O resultado do inquérito policial seria encaminhado ontem ao Fórum de Barra Bonita. Segundo o delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Seccional, as provas coletadas durante as investigações teriam deixado evidente o envolvimento do vereador com o tráfico.

Essas provas serão agora encaminhadas à Justiça e, logo em seguida, entregues ao Ministério Público (MP) para que tome conhecimento do conteúdo.

Caso o MP entenda que as provas são suficientes, o órgão deve solicitar a abertura de um processo criminal contra o vereador. Caso contrário, poderá solicitar novas diligências para embasar melhor a denúncia.

De acordo com a Lei de Entorpecentes, o crime de tráfico de drogas (artigo 12) é punido com até 15 anos de reclusão, mais multa. Já a associação para o tráfico (artigo 14) tem punição prevista de até dez anos de prisão, mais multa.

Além de Cavinato, outras 14 pessoas foram indiciadas pelos mesmos crimes. Elas já respondem a processo na Justiça de Barra Bonita.

Todos foram acusados de envolvimento com drogas depois de uma megaoperação realizada pela polícia em maio deste ano.

Apesar da denúncia ser a mesma, houve separação de inquéritos. “No começo, não foi possível coletar provas contra ele (Cavinato), então houve um pedido do Ministério Público para que fosse apurado em separado o envolvimento do vereador”, explicou o delegado.

Novo inquérito

Ontem, Valencise disse que estava instaurando um novo inquérito policial contra o vereador.

Segundo o delegado, Cavinato teria feito ameaças a testemunhas que foram ouvidas pela Comissão de Investigação e Processante (CIP) criada pela Câmara Municipal em agosto para apurar suposta falta de decoro parlamentar, em razão das acusações contra o vereador de envolvimento com drogas.

Cavinato irá responder agora por coação de testemunha no curso do processo de investigação da CIP.

De acordo com o delegado Valencise, as testemunhas supostamente agredidas pelo vereador são as mesmas que foram arroladas pela Seccional.

Tortura

Outro inquérito em andamento na Delegacia Seccional de Jaú apura denúncia de tortura feita pelo vereador Cavinato.

Segundo o parlamentar, laudos médicos apontam que Fabiano Carlos dos Santos, também acusado de tráfico, teria sido torturado durante um depoimento à Polícia Civil.

A violência, de acordo com o vereador, teria como objetivo forçar uma declaração de Santos de que Cavinato estava envolvido com drogas.

O inquérito está em fase final e, segundo Valencise, “por enquanto, não há indícios de tortura contra ninguém”. O delegado disse que o depoimento foi presenciado por testemunhas, sendo que uma delas é uma advogada de Igaraçu do Tietê. O inquérito deverá ser concluído dentro de duas semanas.

A reportagem procurou o vereador para comentar o resultado do inquérito, mas ele não retornou as ligações.

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