Cafelândia - O vereador Daniel Batista dos Santos (PP) compareceu ontem à Delegacia de Polícia de Cafelândia (83 quilômetros a Noroeste de Bauru) para apresentar sua versão para o acidente que matou Patrícia Aparecida Nosci, 16 anos, no último domingo.
Santos admitiu ao delegado Marcos de Azevedo Leiva que bebeu “umas quatro” latas de cerveja durante a festa do peão e um pouco antes de sair de lá e retornar para a cidade.
Durante a viagem, o vereador perdeu o controle do Fiat Uno que estava dirigindo e bateu contra uma árvore. Patrícia morreu no local do acidente e outras cinco pessoas ficaram feridas, sendo uma em estado grave.
Segundo o vereador, ele teria perdido o controle do veículo depois que um dos ocupantes de veículo gritou para alertar sobre algo na frente do carro. Ele teria tentado desviar e acabou saindo da pista.
Quanto a acusação de ter fugido do local do acidente sem prestar socorro às vítimas, Santos nega que isso tenha acontecido. Ele alega que estava sentindo dores no peito e por isso foi procurar ajuda.
No entanto, ele não procurou assistência médica, mas foi direto para a casa, segundo informou o delegado.
O vereador nega também que tenha bebido durante a viagem. A informação, segundo Leiva, foi obtida de duas pessoas que estavam no carro com o vereador.
“Os indícios são fortes de que ele foi o causador do acidente”, declarou o delegado. O policial disse que vai ouvir mais algumas testemunhas e depois encaminhará o inquérito para o Fórum de Cafelândia.
Omissão de socorro
Santos deverá ser indiciado por homicídio culposo, cuja pena varia de dois a quatro anos de prisão, e por omissão de socorro, que varia de seis meses a um ano de reclusão.
Apesar de não ter em mãos um exame de dosagem alcoólica, o delegado adiantou que também vai indiciar o vereador, com base em depoimentos de testemunhas, por dirigir alcoolizado. Santos corre o risco de ter sua carteira de habilitação suspensa.
Além dele e Patrícia, que morreu no acidente, estavam no carro Kely Cristina Fernandes, 15 anos, Elisvânia Fernandes, 16 anos, Alan Batista dos Santos, 17 anos, e Alexandre Miranda, 19 anos. Todos são moradores de Cafelândia.
Eles retornavam de uma festa do peão, no bairro Bacuriti, distante cerca de 30 quilômetros da cidade. O acidente aconteceu por volta das 6h, no quilômetro 1 da estrada vicinal Humpei Hirano.
Até o início da noite de ontem, Kely Cristina continuava internada na Santa Casa de Lins em estado grave.
O presidente da Câmara de Cafelândia, Carlos Camargo (PSDB), reafirmou ontem a disposição do Poder Legislativo de só se manifestar sobre o caso quando o inquérito policial estiver encerrado.
Segundo ele, o andamento das investigações será acompanhado pelo departamento jurídico da Câmara e se ficar provado que Santos teve culpa na morte da menor, a Câmara deverá abrir processo para seu afastamento ou cassação.
Ele seria julgado por falta de dignidade com o cargo que ocupa atualmente.