Cultura

55 países brigam por indicação ao Oscar

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Nada de Almodóvar, Tornatore, Benigni, Cuarón, Kaige, Kitano, Von Trier ou Vinterberg no ano que vem. Na disputa por uma indicação ao Oscar de produção estrangeira o Brasil, Portugal, Canadá e Itália têm os medalhões da vez.

Dos 55 candidatos divulgados ontem pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, aparentemente (é impossível conhecer todos os diretores já que filmes de países como Nepal, Coréia ou República Checa, por exemplo, raramente chegam ao Brasil), os quatro países levam uma certa vantagem no dia 27 de janeiro, quando saem as indicações.

Portugal tem o lendário Manoel de Oliveira, o mais velho cineasta em atividade com quase 95 anos, defendendo “Um Filme Falado”, uma das obras mais aplaudidas nos grandes festivais europeus este ano.

O filme, que tem no elenco Catherine Deneuve, John Malkovich e Irene Papas, entre outros, faz uma viagem pelo berço da cultura Ocidental: os países mediterrâneos, que são vistos pelos olhos de uma professora de história em um cruzeiro. Uma indicação para Oliveira já seria uma bela homenagem.

A Itália tem “I’m Not Scared”, de Gabriele Salvatores, que já venceu o prêmio em 1991 com “Mediterraneo”. O filme é baseado na novela de sucesso do mesmo nome escrita por Niccolò Ammaniti.

“As Invasões Bárbaras”, de Denys Arcand, abriu a Mostra de São Paulo deste ano e é uma continuação de “O Declínio do Império Americano”, de 1986, com os mesmos personagens. Arcand, que foi indicado ao Oscar (sem vencer) por “O Declínio...” também fez “Jesus de Montreal” e é considerado um dos mais importantes cineastas canadenses.

Enfim, o Brasil será defendido por Hector Babenco, um dos diretores brasileiros mais conhecidos no Exterior por trabalhos como “Pixote”, “O Beijo da Mulher Aranha” (pelo qual concorreu ao Oscar de direção em 1985) e “Ironweed”.

Como nos últimos anos a Academia tem dividido as indicações por continente (embora não haja uma regra que determine isso), talvez o Brasil seja avaliado ao lado dos filmes da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, México, Peru, Uruguai e Venezuela, e o nome Babenco, assim, possa ter um peso maior.

Surpresas

É claro que a Academia pode surpreender escolhendo filmes “exóticos” para a disputa. Nesse caso “Osama” seria um forte candidato. Trata-se do primeiro filme afegão após a queda do regime Taleban e conta a história de uma garota que se veste de homem para conseguir trabalho.

Uma indicação para a Alemanha não seria absurda, apesar do país ter vencido na última edição do prêmio. “Adeus, Lênin!”, um dos filmes mais badalados da Mostra de São Paulo (vai ser exibido hoje) tem sido muito elogiado. A obra fala de uma mulher que entra em coma antes de o regime comunista da República Democrática Alemã (a Oriental) cair e acorda depois, com o país já capitalista, mas seu filho não a deixa sair da cama.

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