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Propaganda violenta


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A Universidade de Michigan realizou um estudo para medir a lembrança de propagandas que são inseridas em programas que tenham conteúdo violento ou sexual. O estudo foi apresentado em agosto último, na reunião anual da American Psychological Association.

A pesquisa vai representar um duro golpe contra os produtores de programas que exploram a violência ou usem algum apelo sexual.

O estudo foi conduzido pelo cientista Brad Bushman e envolveu 324 telespectadores que foram solicitados a assistir programas de 40 a 45 minutos com conteúdo sexual, violento e neutro na TV a cabo. Durante os comerciais, cada grupo assistiu propaganda também com conteúdo violento, sexual e neutro. Depois, era solicitado que dissessem os nome dos produtos apresentados nas propagandas.

A primeira descoberta foi que a quantidade de pessoas que se lembravam dos mesmos comerciais inseridos nos três tipos de programas foi 19% menor quando a propaganda era inserida nos programas violentos e sexuais.

A lembrança dos produtos era 17% maior entre os participantes que viram um programa neutro do que quem viu um programa violento e 21% maior do que quem viu um programa sexual.

Descobriu-se também que as propagandas violentas são 20% menos memoráveis do que as propagandas com apelo sexual e 18% menos memoráveis que as de conteúdo neutro, independente do tipo de programa que são apresentadas. Isso significa, por exemplo, que mostrar propagandas violentas em programas violentos não aumenta a lembrança da propaganda.

Essa pesquisa mostra que anunciar em programas violento ou com apelo sexual é o mesmo que jogar dinheiro fora. Ou, no dizer do pesquisador: “sexo e violência não vendem”!

Mais uma pesquisa mostra o quanto a exploração da violência e do sexo é prejudicial, agora comprovado, também para a saúde das empresas. Talvez, agora, os empresários parem de financiar programas violentos ou com apelo sexual e, assim, estes programas sejam banidos de nossa TV.

Isso não isenta o cidadão de participar de campanhas contra a violência na TV ou contra a violência urbana. Hoje, o crime organizado intimida, suborna, infiltra-se, está dominando nossa sociedade. Todos nós somos responsáveis pela violência, direta ou indiretamente.

Para melhorar nossa visão do problema, não custa lembrar de Bertold Brecht:

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Alguém ainda tem dúvida?

O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais , professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Catanduva e congregado mariano - e-mail: saturno@dea.inpe.br.

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