Turismo

Belém do Pará

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Com quase 1 milhão e 500 mil habitantes, a Capital dos paraenses é um agito só. Despontou neste início de século para a renovação e o progresso e está de braços abertos aguardando quem quer conhecer as riquezas naturais amazônicas.

O movimento lá é constante e intenso. Do Mercado Ver-o-Peso à Estação das Docas, da Praça da República à Praça da Sé. O burburilho começa muito cedo nos galpões às margens da Baía do Guajará (formada pelo desaguadouro dos rios Mojú, Acará e Guamá), onde pode-se comprar de tudo. De pescado a artesanato, de ervas para a cura dos mais diversos males à cerâmica marajoara.

As “milagreiras” do Ver-o-Peso têm remédio e feitiço para tudo, incluindo baixas no apetite sexual - o “viagra” amazônico é um sucesso -, tristeza pela perda do amado, dores reumáticas e estimulantes para o intelecto. Velhas conhecidas dos paraenses, essas “senhorinhas” vendem também os mais diversos “cheiros do Pará” (sândalo e patchouli, entre outros) e patuás para espantar qualquer urucubaca.

O Ver-o-Peso, um dos cartões-postais de Belém do Pará, foi restaurado e está mais limpo para alegria dos visitantes. Localizado na Cidade Velha, bem à beira do rio, é a maior feira-livre do Brasil e também a mais antiga de Belém.

Funciona ininterruptamente desde a segunda metade do século 17 no mesmo lugar, com as pessoas fazendo compras tendo como pano de fundo barcos coloridos que vão e voltam deslizando com a brisa que sopra agradável amenizando o calor.

Aliás, calor é o que não falta em Belém. Uma média de 35 a 37 graus no verão. Como chove diariamente na cidade - característica de toda a região Norte - uma dica para quem a visita é providenciar um guarda-chuva e sapatos confortáveis.

É impossível caminhar de salto agulha nas ruas da Cidade Velha pavimentadas com paralelepípedos centenários. Como as calçadas que datam também da formação da cidade são estreitas, com pedras portuguesas muitas soltas, é difícil o trajeto de senhoras que insistem no traje social.

Além da brisa, outro fator é fundamental para tornar a temperatura suportável: a arborização. Belém possui uma infinidade de árvores que garantem sombra durante os passeios, com destaque para imensas e frondosas mangueiras que exalam um cheirinho peculiar no ar.

Segundo cálculos dos paisagistas, Belém possui mais de 22 mil árvores que formam arcos sobre suas ruas e avenidas e são outro motivo de cartão-postal somadas às belas fachadas dos casarões da época áurea da borracha.

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Teatro, praças e o verde

Além das árvores por toda a cidade, Belém possui muitas praças públicas bem cuidadas. Exemplo da Praça da República, anteriormente chamada de Largo da Pólvora, repleta de mangueiras verdejantes.

É a praça que abre os braços para outro postal da Capital: o Theatro da Paz, um dos mais belos da região amazônica. Recentemente restaurado, o teatro vem sendo palco de grandes espetáculos, incluindo a ópera “Macbeth” de Verdi.

O trabalho de restauração foi minucioso, passando pelo piso, fachada, palco, sistema de iluminação cênica e troca das redes elétrica e hidráulica.

A restauração das pinturas decorativas das paredes e do teto (pintado por Domenico de Angelis), exigiu tempo e perícia. Nas paredes, o trabalho de prospecção das camadas de tinta detectou áreas com até nove pinturas sobrepostas - todas removidas com espátula de dentista, até se chegar aos desenhos originais.

No teto, o trabalho foi ainda maior. Na prospecção, por exemplo, descobriu-se que as tábuas do forro do hall de entrada do teatro estavam podres.

Os restauradores tiveram que retirar a pintura, substituir todo o forro e reaplicar a obra artística na nova madeira. Todas essas obras exigiram quase dois anos de trabalho e investimento de R$ 6 milhões.

A monumental casa de espetáculos inaugurada em 1878, no auge do Ciclo da Borracha, conta com 1.100 lugares, acústica perfeita, lustres de cristal, piso em mosaico de madeiras nobres, afrescos nas paredes e teto, dezenas de obras de arte, gradis e outros elementos decorativos revestidos com folhas de ouro.

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