Bairros

Até PM faz mutirão contra leishmaniose

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A partir de hoje, um mutirão fará o combate à leishmaniose na região Oeste da cidade, onde foram confirmados nove casos da doença em humanos. Numa ação conjunta, membros da Polícia Militar, da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e das secretarias da Saúde, do Planejamento, do Meio Ambiente e das Administrações Regionais percorrerão inicialmente a Vila Dutra.

No total, 50 pessoas estarão empenhadas em orientar a população e fiscalizar terrenos baldios e áreas públicas do bairro. Paralelamente às ações do meio ambiente, a Vigilância Epidemiológica continuará fazendo a busca ativa de novos casos em humanos e a coleta sorológica em cães.

A iniciativa, porém, não vai apressar a operação realizada pela Secretaria da Saúde, que atualmente trabalha no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16). Conforme informações obtidas junto ao Departamento de Saúde Coletiva, o trabalho da saúde segue desvinculado do ambiental.

Portanto, não há prazo para que o cão de Aparecida Coalhareli, que mora na Vila Industrial, seja visitado pela equipe. Segundo ela, há 15 dias, o cachorro começou a apresentar alguns sintomas da leishmaniose, como unhas grandes, falta de apetite e queda de pêlo.

Com recursos escassos, ela não tem como levá-lo ao veterinário e também não tem coragem para sacrificá-lo. Para casos como esse, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) recomenda que a família leve o animal até o Centro de Controle de Zoonoses, desde que o veterinário seja comunicado antecipadamente. Se o profissional suspeitar da doença, o exame sorológico será colhido.

Cerca de 300 amostras de sangue de cães suspeitos já foram encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Mutirão

A fim de coibir o registro de novos casos, o mutirão atuará na área Oeste com o intuito de realizar o controle de vetor, ou seja, identificar terrenos que possam ter se transformado em criadouros.

O mosquito palha, transmissor da doença, se reproduz em material em decomposição. “Ele tem o hábito de fazer o repasto sangüíneo (picar) do entardecer à madrugada. Só as fêmeas picam. As moscas são do tamanho de uma cabeça de alfinete”, explica veterinário e chefe do Centro de Controle de Zoonoses de Bauru, José Rodrigues Gonçalves Neto.

Mas de acordo com ele, nada impede que o mosquito pique animais e humanos que entrem onde eles estão alojados. Por essa razão, as ações de controle de vetor são tão importantes.

“Não adianta nada só tratar os humanos e sacrificar os cães doentes sem fazer o controle de vetor. Já fazíamos o controle ambiental nas residências, mas faltavam os terrenos”, esclarece o coordenador do Núcleo de Controle de Vetores do Departamento de Saúde Coletiva, Flávio Tadeu Salvador.

Cerca de dez mil munícipes são notificados a fazer a limpeza de terrenos baldios e reparo em calçados por ano, informa a Secretaria Municipal do Planejamento, que não dispõe de um levantamento específico sobre a situação da região Oeste.

“Essa parceria é para dar auxílio à Saúde e intensificar as ações nessa área. Vamos mandar dez ficais para lá”, afirma a secretária de Planejamento pela pasta, Maria Helena Rigitano.

Com o trabalho conjunto, será realizado um levantamento dos terrenos baldios irregulares e de situações críticas relativas ao meio ambiente. Os casos mais graves serão encaminhados à Secretaria Municipal das Administrações Regionais. Já a Secretaria Municipal do Meio Ambiente verificará a limpeza das áreas de preservação ambiental, em especial nas proximidades de córregos.

Para dar respaldo ao trabalho, a Base Leste da Polícia Militar colocará uma Base Móvel como apoio ao pessoal de campo. “A polícia cuida da ordem pública e uma das suas vertentes é a saúde pública. A ação também é uma atribuição da PM”, conclui o comandante da 3ª Companhia da PM, capitão Wellington Luiz Venezian.

____________________

Cronograma

O mutirão estará operando no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16). Dois dias depois, vai para a Vila Nova Esperança e no Jardim Andorfato. No dia 30 continuará na Vila Nova Esperança. No dia 31, a equipe fecha o trabalho na Vila Filomena.

Já a operação de busca ativa realizado pelos profissionais da Saúde permanece no Núcleo Edson Francisco da Silva. De lá, segue para a Vila Filomena. Já foram visitados bairros como Vila Guaggio, Vila Nova Esperança e Vila Dutra.

Enquanto outras regiões não são atendidas, quem precisar confirmar a saúde de cães, mas não tem condições de recorrer a clínicas veterinárias particulares, deve procurar o veterinário do Centro de Zooneses para agendar uma vista. O telefone é (14) 3235-1215 e o endereço é rua Henrique Hunzicker, s/nº.

Comentários

Comentários