Os funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) decidiram ontem encerrar a greve, que já durava nove dias, e retomar o atendimento ao público. De acordo com o coordenador do Procon em Bauru, Sílvio Orti, os clientes ou usuários de serviços bancários que se sentirem prejudicados com a paralisação podem procurar seus direitos.
Orti afirma que o banco possui um compromisso com seu cliente ou usuário, e se a indisponibilidade de um serviço resultou em prejuízo para o consumidor, a empresa deve assumir esta responsabilidade. “Se ficar evidente que a greve provocou prejuízo para o consumidor, certamente o banco terá de responder por isso”, esclarece.
O cliente ou usuário tem a possibilidade de efetuar uma reclamação no Procon e ser ressarcido pelo prejuízo somente se não havia outra alternativa ou solução para seu serviço.
“Vamos admitir que a pessoa tenha a agência como único local para um pagamento. Logicamente, ela deixou de efetivá-lo e vai arcar com o ônus, uma multa. Se não havia outra hipótese, alguém tem que responder por essa situação, e seria o banco”, declara Orti.
O superintendente de negócios da CEF em Bauru, Geraldo Oliveira, afirma que os clientes têm a possibilidade de efetuar, até hoje, o pagamento de documentos e títulos exclusivos do banco vencidos entre os dias 15 e 22. “Os documentos pagos até amanhã (hoje) não terão ônus, mas somente os que são de uso exclusivo da Caixa que não poderiam ser pagos em outros bancos”, esclarece.
Ele orienta que os clientes que tiveram problemas durante a paralisação dos bancários procurem o gerente de relacionamento de sua agência. “Os problemas serão tratados caso a caso, com o gerente de cada agência”, diz Oliveira.
Com a maioria
O fim da paralisação foi decidido em assembléia, realizada em frente à agência da CEF na avenida Nações Unidas no início da manhã de ontem. Os bancários voltaram ao trabalho ainda durante a manhã, com a intenção de normalizar os serviços nas cinco agências da cidade.
Segundo Admilson Canuto, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, os funcionários decidiram rejeitar a proposta de acordo coletivo apresentada pelo banco. “Porém, tendo em vista um quadro nacional amplamente majoritário pela aceitação da proposta de retorno ao trabalho, decidimos pela suspensão da greve. Nos submetemos a uma decisão majoritária do País”, explica.
Os funcionários reivindicavam reajuste salarial de 21%, 123% de reposição de perdas acumuladas, isonomia para novos funcionários concursados e readmissão de 441 trabalhadores demitidos. O reajuste aceito foi o mesmo já proposto anteriormente: 12,6% sobre o salário e cargos comissionados, mais abono de R$ 1.500,00, aumento no valor da cesta-alimentação para R$ 100,00 e melhorias nos critérios de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Durante todo o dia de ontem, o movimento nas cinco agências de Bauru foi grande. De acordo com o superintendente de negócios da CEF, a expectativa era de que todo o atendimento fosse normalizado até o final da tarde de hoje. “Tivemos sorte, pois esse período do mês não tem movimento muito forte”, diz.
O torneiro mecânico Murilo Vasconcelos procurou a agência da CEF na rua Gustavo Maciel para dar entrada no pedido de seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ontem. “Eu não fui lesado pela paralisação porque tinha um mês para dar entrada no pedido. Como estava parado, e hoje (ontem) eles voltaram, eu vim para resolver isso. Mas tem bastante gente na agência”, observa.
A pensionista Neusa Rodrigues Fernandes procurou a agência ontem para sacar seu FGTS. “Com o banco fechado não pude vir, ficou difícil. Eu acho que eles (bancários) têm seus direitos de lutar por um salário melhor, mas com tudo parado, a gente não tem alguns serviços. Vou ver se consigo sacar meu dinheiro hoje (ontem)”, relata.
De acordo com Oliveira, as agências da CEF da região, ao contrário de Bauru, apresentaram movimento normal durante todo o dia de ontem.