Pela segunda vez neste ano, a unidade da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru troca sua diretoria. Depois de registrar duas fugas em massa em menos de um mês, quando 35 menores (no total) escaparam, Maria Aparecida Cavalheiro Biem deixou o cargo de diretora, sendo substituída pelo analista técnico/psicólogo da unidade de Lins, Paulo Orti. Ele é a terceira pessoa a assumir o cargo desde que a instituição começou a funcionar em Bauru, há um ano e quatro meses.
A assessoria de imprensa da Febem nega que haja relação entre a mudança de diretores e as fugas. Segundo o órgão, a saída de Biem está acontecendo a pedido dela, por motivos de ordem pessoal.
No entanto, a ex-diretora demonstrou surpresa ao ser procurada pela reportagem do Jornal da Cidade, ontem à tarde, para falar sobre o assunto. “Quase que você fica sabendo primeiro do que eu”, disse.
Quando questionada se havia pedido para sair, ela apenas acenou positivamente e preferiu interromper a conversa. “Eu falo com você mais tarde”, destacou.
Ao ser procurada novamente, ela disse que a entrevista deveria ser feita através da assessoria de imprensa da instituição.
As informações obtidas junto a esse órgão apenas salientam que Biem havia pedido para sair para cuidar da sua vida pessoal, já que a Febem exige dedicação integral e ela teria optado por cuidar mais de sua família.
Na opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), Antonio Gilberto da Silva, esse não teria sido o motivo da troca de diretores. Ele acredita em motivações políticas. “Biem tinha competência e respeitava os funcionários. Mas, não adianta ter um diretor bom e não dar estrutura para ele trabalhar”, critica.
De acordo com ele, a falta de um quadro funcional com número suficiente de pessoal dificulta a conduta operacional da instituição. “Não dá para deixar quatro, cinco agentes de apoio técnico tomando conta dos menores. Seria necessário ter cerca de 25 funcionários em cada plantão para dar conta do recado”, destaca.
Para Silva, a postura da diretora diante do déficit de trabalhadores pode ter desagradado a presidência da Febem, que teria optado por substituí-la.
Carismático
Maria Aparecida Cavalheiro Biem ocupou o cargo de diretora da Febem de Bauru durante sete meses. Nesse período, ela enfrentou duas fugas em massa, quando 35 menores escaparam da unidade - 16 no dia 29 de setembro e 19, na última segunda-feira.
A avaliação da administração dela pelo Sintraemfa é positiva. “Ela respeitava os funcionários e tinha uma postura séria de trabalho”, destaca.
No lugar dela, assumiu o analista técnico/psicólogo da unidade de Lins, Paulo Orti. Formado em psicologia e administração de empresas, com pós-graduação em recursos humanos, o novo diretor é membro da Renovação Carismática da Igreja Católica.
De acordo com a assessoria de imprensa, ele deverá dar continuidade à linha de trabalho adotada pela ex-diretora e seguirá a linha pedagógica definida pela presidência da instituição.
Ao JC, Orti declarou que a sua opção religiosa poderá delinear o caminho a ser seguido no comando da instituição. No entanto, ele preferiu não dar mais detalhe sobre isso. “Eu acabei de assumir o cargo e ainda preciso me inteirar de tudo para falar.”
Antes de Biem, a Febem de Bauru era dirigida pela professora Edinéa Sita Cucci. Ela assumiu o cargo por ocasião da inauguração da unidade e foi exonerada neste ano, após responder sindicância devido a denúncias de irregularidades administrativas.