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'Como estou dirigindo?'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Você age como se fosse o(a) dono(a) das ruas com seu veículo? Costuma descontar sua raiva ou fazer manobras perigosas ao volante? Se sua resposta foi afirmativa a uma destas perguntas, saiba que você integra um grupo de motoristas problemáticos. É o que concluiu uma pesquisa do Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran), que enquadrou condutores em perfis comportamentais.

Segundo o levantamento, realizado pela diretoria do Departamento de Psicologia do órgão, os cinco tipos de motoristas identificados representam algum perigo para a sociedade e comprometem o bom andamento do trânsito.

Para a psicóloga bauruense Daniela Gibin Duarte de Matos, os resultados do estudo comprovam que as pessoas transferem para o trânsito seus problemas vivenciados no dia-a-dia. “O trânsito envolve o comportamento individual inserido em um contexto social e, por isso, as pessoas dirigem como são e como vivem”, ressalta a especialista.

Apesar disso, acrescenta Daniela, o homem é um ser imprevisível, pois suas respostas a determinadas situações dependem de uma série de aspectos e condições momentâneas. “As máquinas obedecem os homens e suas reações variam conforme a personalidade, intelecto, cultura, visão de mundo e estado físico e psíquico dos indivíduos”, teoriza a psicóloga.

É por essa razão que, além dos “tipos” identificados na pesquisa, há uma série de perfis - igualmente capazes de causar transtornos nas vias - que também poderiam ser apontados.

Segundo Daniela, experimentos demonstram que bons motoristas são indivíduos ajustados socialmente, responsáveis, confiantes e cautelosos. “Já as personalidades ditas anti-sociais tendem a se envolver mais em acidentes, principalmente por não respeitarem as leis e regras de convivência e apresentarem dificuldades para respeitar o outro e seus direitos”, enfatiza.

Porém, continua a psicóloga, mais importante do que se preocupar em taxar determinada pessoa de boa ou má condutora é analisar os comportamentos inadequados no trânsito.

Para Daniela, todos aqueles que envolvam alguma forma de agressão ou interfiram no limite individual de outra pessoa são preocupantes. “Jogar o carro para cima ou até mesmo a forma de buzinar são apenas alguns exemplos”, destaca.

Daniela defende que tais comportamentos, entre muitos outros do gênero, devem servir de alerta aos condutores. “Quem age assim precisa conscientizar-se, pois é o primeiro e mais importante passo para ter autocontrole no trânsito, ou procurar auxílio profissional”, frisa a psicóloga. “São reações absolutamente desproporcionais e incompatíveis com os erros cometidos nas vias”, considera.

A especialista observa também que agir inadequadamente no trânsito não é “privilégio” masculino ou feminino. “Ocorre que os homens, por culturalmente terem mais familiaridade com os veículos, possuem maior facilidade para exteriorizar suas atitudes na direção. Eles, por natureza, são mais impulsivos e as mulheres mais contidas”, compara a psicóloga.

Ela sustenta, ainda, que conhecer a legislação e estar apto a guiar também são fundamentais para se minimizar a ocorrência de problemas ao volante. “O conhecimento que o condutor deve ter do Código de Trânsito é essencial, pois ele impõe direitos, deveres e sanções que precisam ser seguidos”, afirma.

Já a dirigibilidade, complementa Daniela, diz respeito à capacidade de guiar reunindo simultaneamente aptidão, agilidade, experiência e destreza. “É o domínio sobre o veículo que todos deveriam estar aptos a exercer ao habilitarem-se à condução dos mesmos”, salienta.

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Respostas contidas

Não é difícil descobrir pessoas que já passaram por alguns “contratempos” ao comando de um veículo. Apesar disso, o simples fato de terem se envolvido nessas ocorrências não as tornam um “perigo ambulante” nem as credenciam para serem enquadrados em qualquer um dos perfis mencionados nesta reportagem.

O securitário bauruense Raul Sampaio Aguilar Júnior é um deles. Ele confessa que, às vezes, perde a paciência com aqueles que classifica como “folgados”. “Esbravejo, principalmente, com os que não dão sinal, os que insistem em trafegar em velocidade excessivamente baixa pela faixa da esquerda e os que colam na traseira e pressionam para ultrapassar”, explica.

Nesses momentos, Raul revela que devolve na “mesma moeda” somente se for ofendido por outro condutor. “Admito que é perigoso, mas não costumo levar desaforo para casa”, diz ele. Apesar disso, o securitário não se considera um “nervosinho” ao volante. “Ter pequenos desabafos não significa que saio por aí xingando ou jogando o carro para cima de todo mundo “, justifica.

Outra que não abaixa a cabeça às agressões verbais que sofre ao rodar de motocicleta é a universitária bauruense Camila Wenceslau Alvarez. “Se estou com a razão, procuro apenas me defender de um eventual xingamento de outro motorista”, diz. “Mas tudo dentro da maior civilidade. Não sou de dar show na rua”, garante.

Camila ressalta que, freqüentemente, é praticamente “obrigada” a comportar-se de tal maneira. “Os motociclistas não são respeitados pelos motoristas de automóveis. Diariamente, levo fechadas, mas evito o máximo possível me envolver em discussões ou desferir impropérios”, conclui a estudante.

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