Regional

Marília é excelência em ortopedia

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Marília - O serviço de ortopedia de Marília (100 quilômetros a Noroeste de Bauru) tornou a cidade conhecida como excelência na área, mas o Hospital da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) não é referência apenas em ortopedia. Hoje, ele é modelo regional na urgência e emergência e nas cirurgias de várias especialidades, além de oncologia, cirurgia infantil e gestação de alto risco.

São 700 consultas diárias, pré-agendadas pela central de regulação da Diretoria Regional de Saúde (DIR-14), explica o diretor técnico da faculdade, Francisco Vendito Soares. “O nosso atendimento é 90% pelo Sistema Único de Saúde.”

A fama de que em Marília o serviço de ortopedia era melhor do que em outras cidades, surgiu, segundo o diretor, quando a faculdade foi criada. “Vários profissionais da área atuaram com precisão. Um deles, o médico Hilário Maldonado, foi o criador dos serviços na Famema.”

Os profissionais foram formados e especializados. “Nós temos residência médica em ortopedia e outras áreas. Temos um serviço de ponta na área de gastro. Atualmente, estamos com 110 residentes distribuídos na área clínica, cirúrgica e no programa de saúde da família.”

O atendimento de urgência e emergência, segundo o médico, é dividido em adulto, ortopédico e clínico cirúrgico. “Temos três mil procedimentos. Estamos com 27 mil atendimentos por mês no hospital. Calculo que tem 200 cirurgias mensais e ambulatório com média de 200 pacientes por dia.”

Os investimentos não param de ser feitos para tornar a faculdade atualizada. “Recebemos um tomógrafo que deverá ser implantado na semana que vem. A ressonância magnética, em breve, estará em funcionamento, o aparelho já foi embarcado, na Holanda.”

Sistema compactuado

Com atendimento 90% feito pelo SUS, a Famema vai ter um reforço com recursos regionais. “O sistema pactuado, atualmente passando por uma nova pactuação, faz com que o dinheiro da saúde regional seja centralizado. Se as prefeituras mandam os usuários para nossa unidade, vão ter que mandar o recurso também. Hoje, o paciente vem, mas não vem o recurso. Com essa pactuação deve melhorar. Até o final do ano deve estar organizado. “

Segundo o médico, essa é uma diretriz da secretaria do Estado da Saúde. “Existe a compactuação do atendimento e do procedimento. Se é consulta, qual é a referência? Nós somos referência para que patologia e para que serviço? As unidades básicas regionais têm que fazer pelo menos o básico, o atendimento primário, nós vamos ser referência para atendimento secundário e terciário.”

Como hospital de nível três, a Famema vai fazer o atendimento de média e alta complexidade e os municípios compactuados têm que fazer o atendimento básico. Se não fizerem, eles vão ter que desviar esse recurso para a região.

Soares frisa que obedece um teto financeiro. “Em nossa instituição, gira em torno de R$ 1,1 milhão. Nós já produzimos muito além do teto máximo. Esse é um grande problema, temos que nos adequar. O dinheiro do SUS vem para o custeio para as duas unidades hospitalares.”

Ele ressalta que o déficit chega a R$ 200 mil por mês. “Recebemos R$ 1,1 milhão e produzimos R$ 1,3. Quer dizer, estamos deixando de receber 200 mil reais mensalmente. A gente está deixando de receber e não de atender. Tiramos recursos de outros locais para cobrir esses custos.”

A Famema, de acordo com o diretor, segue uma diretriz da saúde. “Nós pretendemos prestar a melhor assistência. A faculdade vai de encontro ao usuário. Nós participamos da rede básica, na capacitação dos médicos da rede básica, estamos inseridos em toda a comunidade. Participamos do projeto Uno, patrocinado pela fundação Kellogg’s, e fomos reconhecidos em três projetos da América Latina como iniciativas que funcionaram. Implementamos o atendimento à comunidade.”

A área de pesquisa deve ser implementada pela encampação, prevê o médico. “Hoje, a gente já tem um grupo grande de docentes - 70% deles já são titulados, no ano que vem será criado o primeiro curso de pós-graduação da Famema.”

Há três anos, foi montado o laboratório de genética que está funcionando na tentativa de viabilizar o projeto de implante de medula óssea. “Dependia do laboratório, adequação da área física, do centro cirúrgico, UTI e da área de transplante para implementar.”

Encampação

A Famema pode deixar de ser uma autarquia ligada à Secretaria de Ciências e Tecnologia do Estado. A parte de pessoal e encargos é bancada pelo Estado. “Temos a fundação de apoio da instituição. A encampação pela Unesp, USP ou Unicamp deve ser resolvida em breve.”

A questão da encampação, segundo Soares, é nova. “Encampação é recente, de dois anos para cá, não dá mais para as instituições ficarem penduradas nas secretarias.”

Um decreto do governo do Estado viabilizou a criação de uma comissão de estudo da encampação, constituída por três reitores mais um representante da Famema e da Faculdade de Medicina de Rio Preto. “Eu acredito que a encampação será feita pela Unesp.”

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