Inscrito no Prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, o projeto de Leitura e Associação de Rótulos, Imagens e Embalagens (Larie), desenvolvido pela fonoaudióloga Grace Cristina Ferreira da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, passou por duas fases de seleção, concorrendo com outros 633 projetos de instituições públicas e privadas de todo o País, e está agora entre os 30 finalistas. O prêmio em dinheiro é de R$ 50 mil para a implementação e disseminação do projeto.
Desta forma, o Larie receberá o Certificado de Tecnologia Social, conferido pela Fundação Banco do Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Por ser finalista, o projeto receberá também o Troféu de Excelência em Tecnologia Social, cuja entrega será feita em São Paulo, no próximo dia 18 de novembro.
Apesar da felicidade com a certificação e o troféu já alcançados, Grace ressalta que a maior alegria é ver seus alunos progredindo e saber que o reconhecimento nacional vai possibilitar a implantação do projeto em outras escolas e entidades do País.
A premiação é dividida por regiões e, dos cinco finalistas da região Sudeste, dois serão contemplados pelo fato de ter inscrito o maior número de projetos de todo o concurso. Isso aumenta as chances do Larie.
Os pontos avaliados são a sustentabilidade do projeto, baixo custo, reaplicabilidade e fácil implantação.
Mas, aos olhos da profissional que acompanha o dia-a-dia destas pessoas que participam do projeto, um outro item que poderia motivar os vencedores é o envolvimento da família no processo educativo.
Como o Larie oferece facilidade de trabalhar com os deficientes, a participação é estimulada pelos resultados.
Grace Ferreira conta que, por serem finalistas, equipes de filmagem vieram acompanhar o cotidiano dos alunos e foram às casas de duas famílias. “Foi emocionante ouvir o depoimento de uma mãe ao dizer que parecia que o filho estava lendo de verdade”, comemora.
Resultados
Dos 25 alunos participantes do Larie em Bauru, que são divididos em quatro classes de acordo com as idades e dificuldades, a fonoaudióloga que coordena o projeto de tecnologia social aponta que 22 não apresentam comunicação oral funcional e 23 alunos têm dificuldades no processo de identificação de figuras pictográficas do PCS.
Todos necessitam de apoio para o desenvolvimento da linguagem e as dificuldades expressivas são comumente relacionadas aos desvios de comportamento, uma vez que os alunos têm dificuldades em comunicar suas vontades, não conseguem informar, pedir, comentar, escolher...
“Pensando nesta problemática, iniciamos em setembro de 2002, o trabalho para desenvolvimento das habilidades de atenção, visualização, audibilização, gerando a abstração e a simbolização, com figuras de imagens fotográficas de embalagens familiares que refletem a realidade de uma forma mais direta. Acreditamos que os passos adotados para o trabalho auxiliem no estabelecimento das relações entre o concreto e o abstrato, levando à compreensão dos esquemas próprios da linguagem”, detalha Grace.
Segundo ela, atualmente todos os alunos participantes aceitam de maneira mais positiva as figuras de imagens fotográficas das embalagens, comparando-se com os desempenhos nos treinamentos anteriores feitos com as figuras do PCS. 50% dos alunos participantes e que apresentam algum grau de deficiência mental (sem associação com outras deficiências) já passaram pelas fases de manuseio e exploração de embalagens e de rótulos, tendo alcançado resultados positivos no desenvolvimento das habilidades de atenção, reconhecimento e discriminação. A habilidade de categorização já está em desenvolvimento.
“Quatro alunos já utilizam as figuras de imagens fotográficas para solicitar algo”, vibra.
Os outros 50%, que apresentam maior comprometimento intelectual ou associação com outras deficiências - estão nas fases de manuseio e exploração de embalagens e produtos, desenvolvendo aos poucos essas habilidades.
No processo de avaliação, as professoras semanalmente registram os resultados em grupo e individuais. Grace ainda participa de uma atividade com cada grupo para reavaliações.
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Tecnologia social
Tecnologia social é um processo, método, produto, técnica ou instrumento capaz de gerar transformações sociais que, uma vez aplicado em maior escala, gera a solução de um problema comum a mais de uma localidade.