Bairros

Árabes tentam preservar costumes

Thaís da SIlveira
| Tempo de leitura: 3 min

Segundo o libanês Riad Elia Said, morador de Bauru, a comunidade de descendentes árabes na cidade reúne hoje cerca de 400 famílias que tentam preservar as tradições de seus países de origem.

Com temperos brasileiros, certos costumes são mantidos. Em casa, os pais ainda tentam falar em árabe com os filhos. Geralmente, os visitantes são recebidos com uma xícara de café árabe (feito de modo artesanal, sem coar) e doces típicos.

“A hospitalidade é uma coisa importante. Conservar a amizade é uma questão importante para o árabe. A gente tenta passar para nossos filhos um pouco da música árabe, das danças, da cultura e da alegria”, expõe Riad, que é arquiteto.

Ainda assim, ele não nega que o interesse pela cultura árabe diminui de geração para geração. “Sem dúvida, a falta de hábito e de conversar na língua árabe faz com que o interesse seja menor”, avalia.

Mas as famílias árabes são persistentes e reúnem-se em ocasiões especiais para festas e jantares no Clube Monte Líbano.

Riad saiu do Líbano com 24 anos, quando quatro de seus irmãos já moravam em Bauru. Ele afirma que a cidade recebeu bem os imigrantes árabes. “Muitíssimo bem. A gente se sente como se fosse nossa segunda casa e nossa segunda cidade”, enfatiza.

O arquiteto afirma que, em Bauru, a comunidade identifica-se com a Praça do Líbano, localizada no cruzamento entre as avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves. “Poucas construções lembram o estilo libanês em Bauru”, observa.

Quanto às atividades desempenhadas pelos árabes na cidade, Riad diz que apenas no início eles concentraram-se no comércio. Atualmente, estão presentes nas mais diversas áreas.

“Na época, eles não entendiam muito a língua. E a coisa que mais dominavam era a troca de mercadoria, a venda. Isso vem do tempo dos fenícios. Talvez esteja no sangue. Começou com os mascates. De mascates, passaram para lojistas. E assim por diante”, explica.

Antigamente, havia recomendação para que os filhos seguissem o ofício dos pais. “Hoje, não há mais uma conduta para fazer aquilo que os pais fizeram. Os pais abriram caminho para o estudo dos filhos. Eles se formaram e cada um fez o que achou melhor”, acrescenta Riad.

Em Bauru, os árabes não abrigaram-se exclusivamente em um bairro. Eles espalharam-se. “Os libaneses têm fácil integração na sociedade e na localidade em que se encontram. A gente acha que tem árabes em todo lugar”, comenta.

“É um motivo de orgulho para nós, árabes em geral, ter no coração o amor por duas pátrias. Uma que temos como origem e outra que é o Brasil. Ninguém nega o amor pelo Brasil. É um laço muito forte.”

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História

De acordo com Riad Elia Said, a imigração árabe no Brasil começou por volta de 1880, após a visita de Dom Pedro II ao Oriente. Ele teria passado pelo Líbano e conhecido o povo oprimido pela ocupação turca.

Então, teria convidado libaneses a viajar para o Brasil. “As portas estavam abertas para o povo libanês. Ele convidou as pessoas para se hospedar no palácio dele quando vieram para cá”, afirma o libanês.

Em Bauru, a chegada do trem propiciou a vinda dos imigrantes. Onde era aberto caminho, estavam os mascates carregando suas mercadorias nas costas ou em mulas.

“Desde o início da fundação de Bauru havia gente árabe, do Líbano, da Síria. Eles vieram quando começou a cidade”, conta.

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