Bairros

Colônia japonesa tem 1.500 famílias

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A colônia japonesa em Bauru reúne hoje cerca de 1.500 famílias. Poucos são imigrantes de primeira geração. A maioria é filhos e netos de japoneses.

No início, a Vila Independência era o principal reduto desse grupo. Atualmente, ainda há muitos descendentes de japoneses no bairro, mas eles já estão muito mais espalhados pela cidade.

O diretor de comunicação do Clube Cultural Nipo-Brasileiro de Bauru, Massaru Ogino, explica o motivo da escolha do bairro. “Talvez pelo ribeirão que corre por ali. Para facilitar o trabalho, já que eles são exímios plantadores de verduras”, diz.

No Brasil, os primeiros japoneses chegaram em 1908. Eles continuaram viajando até 1940. Na década de 50, período pós-guerra, teve início a segunda fase da imigração.

Em Bauru, eles chegaram em 1914 para trabalhar principalmente com agricultura. Hoje, poucos ainda permanecem na zona rural. “Pode-se dizer que eram nômades porque ficavam dois ou três anos em um lugar, até a terra cansar. A maioria acabou mudando-se para outros Estados”, explica Massaru.

Havia ainda muitos japoneses que passavam por Bauru com destino à Bolívia, para onde iam de trem.

Segundo o diretor de comunicação do Clube Nipo-Brasileiro, muitos japoneses não vieram diretamente para Bauru e instalaram-se inicialmente na periferia da Capital. Após a guerra, foram desalojados e buscaram o Interior. “Por questão de segurança, acharam que os japoneses não deveriam estar na periferia de São Paulo e nos grandes centros”, expõe.

Tradições

Das 1.500 famílias de descendentes, cerca de 600 são associadas ao Clube Nipo-Brasileiro. De acordo com Massaru, muitas tradições são preservadas.

A escola que ensina a língua japonesa tem muitos adeptos, inclusive brasileiros. Para o diretor, o interesse dos jovens pela cultura do país de origem está voltando. “Talvez seja porque tem muita gente daqui trabalhando no Japão. São 250 mil brasileiros. De Bauru, são mais de 1.000 pessoas”, avalia.

Além da língua, os descendentes gostariam de preservar a educação japonesa. Alguns aspectos são transmitidos às novas gerações, como o respeito à hierarquia da família. “Acontece que estamos no Brasil e os meninos têm muitos mais interesse em aprender as coisas daqui”, justifica Massaru.

Quanto à religião, nada é imposto aos descendentes. “Cada um segue a religião que acha que deve seguir. Acho que não devemos forçar a criança a ir à igreja. O sistema é muito antigo e, para a pessoa jovem, isso não é atraente. Toda religião tem que se modernizar. Se ficar como há mil anos atrás, não funciona aqui”, opina.

A igreja Tenrikyo, localizada na Vila Independência, é freqüentada por boa parte da comunidade em Bauru. Ela é vista como uma opção já que a religião oficial do Japão é o xintoísmo.

Nas festas da cultura japonesa organizadas pelo clube, outros aspectos da cultura podem ser observados. Entre eles, estão o origami, o ikebana e o jogo shogui (semelhante ao xadrez).

Os representantes do Clube Nipo-Brasileiro entendem que, para preservar a tradição, é necessário difundi-la. “A gente vê o brasileiro comendo sushi. É a nossa cultura que está sendo preservada não apenas por nós, mas por toda a população”, diz.

“Eu achava que a nossa cultura estava se diluindo. Hoje, se espalhou. Está por toda a parte. O povo brasileiro está assimilando nossa cultura. Principalmente na alimentação”, acrescenta o Massaru.

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China no centro

Ainda que timidamente, outras duas colônias de imigrantes já podem ser observadas em Bauru: a de coreanos e a de chineses.

Passeando pelo Calçadão da Batista de Carvalho e pela rua 1.º de Agosto, no Centro, não é difícil encontrar bares e lanchonetes gerenciados por imigrantes da China.

O diretor de comunicação do Clube Nipo-Brasileiro de Bauru, Massaru Ogino, explica que a chegada de coreanos e chineses a Bauru ainda é uma novidade. “Essa é uma onda recente, de uns cinco anos para cá. As entidades representativas deles ainda não se formaram”, diz.

Radicado há oito anos em Bauru, o chinês Chenzhons Chi, 35 anos, atualmente é proprietário de uma lanchonete no Centro de Bauru, onde trabalha com membros de sua família.

Com muito sotaque e poucas palavras, ele conta como foi a decisão de mudar-se para o Brasil e para Bauru. Confira a seguir trechos da entrevista concedida ao JC.

JC nos Bairros - Há quanto tempo o senhor chegou ao Brasil? Chenzhons Chi - Há oito anos.

JC - Por que o senhor decidiu imigrar? Chi - Porque, na China, arrumar serviço é difícil. Na China, tem muita gente. Aqui é mais fácil arrumar serviço.

JC - O senhor veio com a família? Chi - Não. Antes, eu vim sozinho. Depois de três anos, eu trouxe a família. Veio pai, mãe, mulher, filho e filha.

JC - O que você está achando daqui? Chi - Estou gostando mais ou menos. Ganhar dinheiro é difícil. Não gostei muito de Bauru.

JC - Por que o senhor escolheu a cidade de Bauru? Chi - Eu tenho um amigo que mora aqui. Ele falou que aqui era bom.

JC - O senhor conhece muitos chineses que vivem aqui? Chi - Conheço todos. São mais ou menos umas 15 famílias. Todos os chineses são amigos.

JC - O senhor voltaria para a China? Chi - Eu não tenho dinheiro.

JC - Se tivesse, o senhor voltaria? Chi - Só para passear. Para morar, eu fico no Brasil mesmo.

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