Bairros

Luso e Estoril marcam Portugal

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

“As tradições são esparsas. Não são como antigamente.” A afirmação é de Abel Fernando Marques Abreu, filho de portugueses e representante da Associação Luso-Brasileira de Bauru.

Segundo Abel, os descendentes de hoje - a maioria netos e bisnetos de portugueses - não se comportam como antigamente. “Hoje, o pessoal já ficou mais espalhado e não freqüenta o clube como freqüentava antigamente”, lamenta.

Em Bauru, não há um bairro em especial que sirva como referência para esse grupo. Os portugueses estão espalhados por todos os lugares, mas têm no Jardim Estoril um marco: a Praça Portugal.

As tradições são lembradas principalmente no dia 10 de junho, data em que se comemora o Dia de Portugal (ou Dia da Raça, ou, ainda, Dia de Camões).

Neste dia, além da missa celebrada e da solenidade na sede da Associação Luso-Brasileira, há uma festa com músicas e danças típicas, cantoria de fado e apresentação do coral da instituição, que canta o hino de Portugal. “Nos reunimos afetuosamente e recordamos coisas daquele tempo”, diz Abel.

Outros pontos da cidade lembram o povo português - a associação, com mais de 3 mil sócios; o Hospital Beneficência Portuguesa e o obelisco da Praça Portugal.

Ruas que levam nomes de imigrantes também são importantes, tais como Antônio Alves (um dos primeiros delegados de Bauru) e Antônio dos Reis.

“As instituições servem como pontos de apoio para os portugueses que vivem em Bauru. Eles nos procuram para saber de parentes, saber onde ficam as coisas etc”, afirma.

História

Abel conta que o auge da imigração portuguesa em Bauru ocorreu no final da década de 40 e início dos anos 50. Os imigrantes chegaram através da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. “Eram verdadeiros bandeirantes dessa ferrovia”, comenta.

Eles exerceram atividades de diversas áreas, tais como cafeicultura, comércio e trabalho braçal. Ficaram conhecidos pelos primeiros hotéis e padarias inaugurados na cidade.

Na época, o número de portugueses era bastante elevado, de acordo com Abel. Hoje, a maioria são descendentes - dificilmente encontra-se portugueses de primeira geração.

Abel lembra que os portugueses em Bauru reuniam-se para jogar cartas e assistir a filmes do país de origem que eram exibidos em um auditório local. “Aquilo lotava. Era um assédio para ver as coisas da nossa terra.”

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