Washington - Dos favoritos ao azarões, com escala nos coadjuvantes. Na temporada 2003/2004 da NBA, que começa hoje com três partidas, a palavra de ordem é mudança. Somados, os 29 times da liga norte-americana de basquete trocaram 45% de seus titulares em relação ao início da última edição. O torneio vai contar com a participação de três brasileiros: Leandrinho, Nenê e Alex.
O Brasil se tornou o país latino com maior número de estrangeiros - Argentina, Porto Rico e Espanha terão dois. “Acho que abrimos as portas para os brasileiros. Acredito que esse número irá aumentar”, afirma Nenê. O ala-pivô deve ser o brasileiro com mais espaço em seu clube, o Denver Nuggets.
Outro brasileiro, Leandrinho, conseguiu, na pré-temporada, uma média de 9,6 pontos em 19,3 minutos em quadra pelo Phoenix Suns. O armador surgiu como boa opção para o descanso do astro Stephon Marbury, que tem ajudado o novo companheiro. “O Marbury me dá várias dicas. Ele não é individualista e vem sendo um grande companheiro”, conta Leandrinho.
Último brasileiro a obter vaga no campeonato, Alex sabe que terá pouco espaço em um time de estrelas, o atual campeão San Antonio Spurs. O ala, que atuará de armador na NBA, fraturou um osso do pé direito na última quarta. Operado no sábado, deve ficar até oito semanas sem atuar. “Para quem veio aqui só para treinar uma semana, acho que já cheguei longe”, diz ele.
Mudanças
Nada menos do que 23 agremiações alteraram pelo menos dois jogadores em seus times-base. Mais de uma dezena de equipes também apostou na mudança de treinador para evoluir. A dança das cadeiras reúne figurões em busca de um título, estreantes badalados e substitutos para novos aposentados (lista que inclui gente que fez história, como Michael Jordan, o maior de todos, e John Stockton, recordista de assistências).
Os mais fortes candidatos ao título, quase todos da Conferência Oeste, estão nessa situação. Atual campeão, o San Antonio Spurs não tem mais o pivô David Robinson, que pendurou o tênis, e o ala Stephen Jackson, que não teve seu contrato renovado, na sua formação titular. Além disso, perdeu reservas importantes, como os armadores Speedy Claxton e Steve Kerr. Para suprir tais desfalques, os dirigentes texanos foram para o mercado, contratando seis novos jogadores.
Revolução maior fez o Los Angeles Lakers, que tenta recuperar a hegemonia perdida para o San Antonio. Do time titular do ano passado, só os astros Shaquille O'Neal e Kobe Bryant - que responde acusação por estupro - estão na mesma situação agora. Ao lado da dupla, estarão os veteranos Gary Payton e Karl Malone, que assinaram contratos “modestos” para terem a chance de, enfim, ganharem o título da NBA.
Atual bicampeão da Conferência Leste, o New Jersey Nets também resolveu mudar. Para ter chance contra os times do Oeste e seus famosos pivôs, a equipe trouxe Alonzo Mourning, do Miami, para o seu garrafão.
Se para quem já tinha um esquadrão a opção foi mudar, para os times mais fracos a renovação é uma questão de sobrevivência. Prova disso está no Denver Nuggets, de Nenê. A equipe do Colorado terá três novos titulares, incluindo Carmelo Anthony, um dos mais fortes candidato ao título de calouro do ano.
Mas, entre os novatos, ninguém é mais símbolo de mudança do que o armador LeBron James. Com apenas 18 anos e mais de US$ 100 milhões de dólares garantidos em contratos de patrocínio, ele tem a missão de ser uma das maiores estrelas da liga no Cleveland Cavaliers, que na temporada passada só venceu 17 dos 82 jogos da temporada regular.