Cultura

Vânia Bastos homenageia mineiros

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Verdadeiras memórias sonoras da cantora Vânia Bastos, uma ourinhense que passava as férias em Minas, “O Trem Azul”, “San Vicente”, “Nada Será Como Antes” e tantos outros sucessos que marcaram a carreira de Milton Nascimento e Lô Borges compõem o repertório do CD “Vânia Bastos Canta Clube da Esquina”, disco/homenagem aos 30 anos do movimento que difundiu a música mineira no Brasil.

Convidada pelo produtor Marco Mazzola para gravar o álbum, Vânia - fã das composições desde a adolescência - aceitou a proposta na hora. “O convite caiu como uma luva, o projeto teve muito a ver comigo, pelo fato de eu morar em Ourinhos e ficar ouvindo aquelas músicas lindas, que tinham uma sonoridade completamente nova para a época”, revela a cantora, em entrevista concedida por telefone ao Jornal da Cidade.

Além das canções já citadas, a seleção do álbum - lançado no início do ano passado - conta com outras nove faixas, entre elas “Cais”, “Paisagem da Janela” e “Nascente”, composições produzidas pelos mineiros há três décadas e que ganharam nova interpretação na voz de Vânia. “As letras são acompanhadas por piano e um quarteto de cordas, que produziram um som completamente diferente, mas permanecendo a beleza das melodias originais”, aponta a cantora, de 43 anos, que possui outros oito CDs gravados.

O resultado pode ser conferido em um show que Vânia realiza hoje à noite na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc), em Bauru. Dona de uma voz que mistura doçura e elegância, Vânia sobe ao palco acompanhada pelo pianista Fábio Torres, mas faz questão de frisar que o show não corre o risco de seguir o estilo erudito. “A apresentação mescla várias cores sonoras, diversos tons, climas e tipos de músicas, tem momentos intimistas e samba”, diz.

Apesar de ser centrado nas canções feitas pelos músicos do Clube, o repertório apresenta ainda sucessos de Adoniram Barbosa, Tom Jobim e Caetano Veloso, como “Você Não Entende Nada” e “Passarin”.

“Sempre fui apaixonada pelo trabalho do Caetano e Tom Jobim está além do bem e do mal para todo o sempre”, diz a cantora, justificando a produção dos discos “Caetano Veloso” (1992) e “As Canções de Tom Jobim” (1995), que a exemplo de “... Clube da Esquina”, são homenagens prestadas pela intérprete aos seus ídolos.

• Serviço

Show de Vânia Bastos hoje, a partir das 21h30, no Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

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Clube apresentou talentos da música de Minas para o Brasil

Criado na década de 70, o Clube da Esquina revelou a música produzida por compositores mineiros pelo País, trazendo à tona nomes como Milton Nascimento e Lô Borges, entre outros representantes da MPB que eternizaram canções como “Amor de índio”, “Tudo o Que Você Poderia Ser” e continuam encantando gerações com letras românticas e melodias suaves.

Tendo como grande aglutinador Milton Nascimento, o Clube surgiu com reuniões realizadas na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte. Antes que o movimento se formalizasse, ele já fornecia bons resultados. O primeiro foi o CD “Clube da Esquina 1”, gravado em 1972, trazendo faixas como “Cais” e “Trem Azul”. O sucesso se repetiu em “Clube da Esquina 2”, lançado seis anos mais tarde.

Além de Milton e Lô, o Clube tem como “sócios” os músicos Flávio Venturini, Beto Guedes, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Toninho Horta, Wagner Tiso, Fernando Brant, Tavito e Nélson Ângelo.

Embora nunca tenha se formalizado, o movimento - que para muitos tem o mesmo efeito da Tropicália (que trouxe a música baiana para o Brasil) - continua produzindo frutos.

Um exemplo é o disco gravado por Vânia Bastos, que ressalta a importância dos mineiros. “Essa história do aniversário do Clube... A gente nem percebe que as músicas têm 30 anos, porque elas têm sabor de coisas novas, coisas que, independente de tempo, fazem bem para a alma”, diz a cantora.

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