Bairros

Defesa Civil propõe prevenção a chuvas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru está elaborando um plano de ações, fundamentado na informação e prevenção, para evitar que a chuva faça novas vítimas no trânsito durante o período das águas - entre novembro e abril. Há dois anos, seis pessoas morreram em enchetes no município e uma outra desapareceu e ainda não foi encontrada. Neste ano e no ano passado não houve registro de mortes.

O documento - que futuramente vai definir ações em áreas de risco e favelas – recomenda que, em caso de chuva forte, a população seja informada pela imprensa sobre as previsões meteorológicas e receba orientações sobre como proceder no trânsito.

Simultaneamente, pontos de inundação serão observados pela PM. Em caso de alerta, viaturas policiais e do Corpo de Bombeiros serão deslocados até o local, que pode ser interditado.

“O trânsito provoca maior preocupação porque tem causado mais mortes. 90% do plano de ação são baseados na informação à população. 10% são operacionalização. Ele será disponibilizado na Internet”, explica o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Àlvaro de Brito.

Embora as ações apresentadas não sejam díspares em relação às realizadas até agora, elas foram formalizadas para garantir coesão ao trabalho de todos os órgãos que atuam simultaneamente em situação de chuvas, confirma o coordenador da Operação Enchente do Corpo de Bombeiros, Marcos Ricardo Poloniato.

“O que fizemos foi estruturar o trabalho dos órgãos que atuam na prevenção de enchentes para que a ação possa ser perene e de conhecimento geral”, ressalta o comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar, capitão Welligton Luiz Venezian, que esteve na reunião.

O plano de ações também prevê a distribuição de folder com dicas de rotas alternativas aos condutores nos corredores de trânsito próximos aos 350 pontos de alagamento do município. Serão priorizadas as imediações das avenidas Castelo Branco e Nações Unidas e Alfredo Maia, consideradas as mais perigosas, conforme levantamento realizado pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.

“Queremos instruir os motoristas sobre rotas alternativas. O problema é que temos poucas vias de acesso para alguns bairros. Nesses casos, não se deve tentar enfrentar a enchente, mas procurar um local seguro e aguardar. Vamos tentar viabilizar recursos para imprimir os folders em 15 dias.”, conta Brito, que vai centralizar as operações em dia de chuva forte.

É ele quem vai receber as informações climáticas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e comunicar a PM, Corpo de Bombeiros e a Emdurb, responsável pela interdição das vias públicas.

Em função da atribuição, há anos Brito espera estruturar em Bauru uma central de emergência da própria da Defesa Civil. Hoje ele atende sozinho a comunidade por meio de um celular, que ficou 45 dias em manutenção.

Com recursos escassos, o poder público não instala a central orçada em cerca de R$ 30 mil nem investe em obras de recuperação de erosão em bairros como o Pousada da Esperança 1 e 2.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, para recuperar cada erosão são necessários R$ 80 milhões.

“O ideal é que exista captação de recursos para a realização de obras que resolvam o problema de fato. Acho importante esse plano de ação para evitar novas mortes e perda de patrimônio. Isso já foi feito antes, mas não de forma tão intensa como agora. A iniciativa vem a calhar”, diz Mauri de Campos Brito, que trabalha nas imediações da avenida Alfredo Maia .

Duas pessoas morreram nessa via pública em fevereiro de 2001, quando 40 minutos de chuva intensa foram suficientes para matar outras cinco pessoas em Bauru.

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Previsão do tempo

Se a previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) não falhar, o verão desse ano será mais quente e com chuvas normais ou mais escassas que os anteriores. Mesmo assim, a possibilidade de temporais não está descartada porque a precipitação de água pode ocorrer de uma vez só e provocar estragos.

Segundo o meteorologista do IPMet, Adelmo Antonio Correia, a temperatura média no verão é de 26ºC. Já a precipitação média em novembro, dezembro e janeiro é de 127 milímetros, 202 milímetros e 223 milímetros, respectivamente.

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