Nem todos os povos celebram o Dia de Finados da mesma forma ou estilo. Cada qual ou a maioria obedece a tradições próprias. Por conseqüência, muitos não o comemoram no dia 2 de novembro de cada ano. Os japoneses, por exemplo, cultuam seus mortos nos dias 15 e 16 de julho. Os judeus, por seu turno, costumam ir coletivamente às necrópoles no decorrer do mês que precede o ano novo ou nos 12 dias subseqüentes ao início do mesmo, tendo de elucidar-se que o ano novo judaico não coincide com a data comum, pois o seu calendário é regido de acordo com a lua e o ano lunar simples dura 255 ou 353 dias, ao contrário dos nossos 365 dias, sendo que sete vezes em cada 19 anos o país possui anos com 13 meses. Adiante-se que o luto judaico não é representado por roupas pretas e nem por qualquer outra cor. Após o enterro, os enlutados permanecem sete dias em casa, sentados no chão, sem barbas e usando roupas cortadas em uma das pontas. Em Israel, as visitas coletivas são em setembro. O corpo é levado ao cemitério e ali lavado com sabão e água de preferência morna. Em seguida é depositado numa cova em contato direto com a terra. Não existe cemitério particular para os budistas e os túmulos são comuns, passando o morto a ser cultuado como filho de Buda e sete dias após o trespasse faz-se um culto, outro no 49.º dia e outros mais serão celebrados após 100 dias, um ano, três, sete, 13, 25 e 33. Depois, o dia de morte é relembrado de 50 em 50 anos, a menos que nenhum parente se lembre do falecido! Mas, nem todos os japoneses são budistas.
A filosofia oriental, de tempos a esta parte, com bastante adeptos no Brasil, encara a morte com alguma naturalidade e muitos a vêem como se constituindo na última libertação humana, havendo os que, guardando profundo respeito pelos que falecem, acreditam na reencarnação. Os árabes admitem o uso de flores. Os judeus, não! No entanto, os ocidentais fazem das flores seu principal símbolo de confiança ou de dor, caso dos brasileiros que hoje e amanhã estarão se dirigindo às nossas necrópoles sobraçando ramos de rosas, orquídeas, violetas, cravos, crisântemos e outros para depositá-los carinhosamente na última morada de seus queridos, externando-lhes a certeza de uma saudade que não morre, mas não morre mesmo, transferindo-se de geração em geração, de crianças para adultos. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.