Muitos falam, mas poucos explicam do que realmente se trata a direção defensiva, considerada um dos mais importantes fatores de segurança no trânsito. Na teoria, pode-se conceituá-la como tudo aquilo que se possa fazer para evitar acidentes, independentemente do que outros motoristas façam e de condições adversas.
Mas, na prática, há uma série de cuidados envolvidos com os princípios e regras da direção defensiva. Os sargentos Edson Tadeu Dornelas Santos e Antonio Carlos Rodrigues, instrutores de um curso mensal específico sobre o tema ministrado pela 4.ª Companhia da Polícia Militar de Trânsito de Bauru, ressaltam que prevenção é a palavra-chave.
Os policiais enfatizam que, para ser um motorista defensivo, é necessário preocupar-se antes mesmo de sair com o carro. O primeiro passo é com o estado de conservação do veículo. “Como o automóvel é uma máquina que pode falhar, a manutenção preventiva periódica é fundamental”, destaca Rodrigues.
Na seqüência, o condutor deve avaliar suas condições físicas e psicólogicas para dirigir e também planejar com antecedência o trajeto a ser percorrido. “São procedimentos que visam segurança e economia de combustível”, afirma Dornelas.
Os cuidados “pré-partida” se estendem até mesmo na hora de assumir o volante. Ao fazer isso, ajuste a posição do banco, do encosto de cabeça, dos espelhos retrovisores e o cinto de segurança, equipamento largamente negligenciado pelos bauruenses. Prova disso é que, de janeiro a agosto deste ano, a falta do uso do cinto foi a “campeã” entre as infrações mais registradas na cidade.
Com tais precauções tomadas, os demais procedimentos envolvem aspectos comportamentais no comando do automóvel. De forma geral, conforme destacam os sargentos, é preciso, além de respeitar as leis e os outros condutores, ter atenção, cortesia e paciência. “O motorista defensivo jamais aceita provocações, sejam físicas ou verbais, pois geram violência e até mortes”, acrescenta Rodrigues.
Entretanto, quando e em quais situações utilizar na prática tais recomendações? “A cortesia pode ser exercida ao dar preferência de passagem ou facilitar a ultrapassagem de outro veículo. O motorista gentil e precavido é aquele que, mesmo tendo a preferência em uma via, abre mão dela em nome da segurança”, exemplifica Dornelas.
Igual atitude deve ser tomada em cruzamentos sem semáforos ou com a placa de parada obrigatória. “Mesmo que esteja com a razão, o motorista defensivo é aquele que sempre pensa no que pode fazer para evitar acidentes. Neste caso, reduzir a velocidade, mesmo com a preferência, é uma das recomendações”, sustenta Rodrigues.
Já a paciência deve ser cultivada sempre e em todos os momentos quando se está guiando, mas especialmente nos semáforos. “A quantidade de absurdos cometidos nas imediações deste equipamento é assustadora”, frisa Dornelas. Os maiores são a insistência em avançar o sinal vermelho ou a parada obrigatória - terceira infração mais comum em Bauru e causa de acidentes com vítimas fatais este ano.
“Muitos condutores não respeitam nem mesmo o sinal amarelo, que, a exemplo do vermelho, significa pare. Devido à pressa e a falta de respeito à sinalização, cerca de 60% dos acidentes na cidade ocorrem nos cruzamentos. Por isso, paciência e bom senso podem salvar vidas nos semáforos”, enfatiza o sargento Dornelas.
Por isso, o policial ensina uma dica para se prevenir dos “apressadinhos” nos sinaleiros. “Ao liderar uma fila de carros parados, deixe-o em ponto morto, segurando-o no freio. Quando o verde for acionado, você levará cerca de dois segundos para engatar a marcha e arrancar com o veículo, tempo necessário para escapar dos que desrespeitam o amarelo e o vermelho”, ensina Dornelas.
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Distância e clima
Outros pontos fundamentais da direção defensiva são a distância entre os veículos e as condições climáticas, fatores também decisivos à segurança no trânsito. Os sargentos Dornelas e Rodrigues, da 4.ª Companhia de Trânsito, contam que há maneiras distintas para avaliar a quantos metros permanecer dos carros à sua frente.
Na estrada, orienta Rodrigues, para veículos de até seis metros o correto é ficar a dois segundos de distância. Acima disso, dobre o tempo. Mas como calculá-las?
Já na cidade, há duas formas de permanecer à distância: parado ou rodando. Quando estiver em um semáforo, por exemplo, fique atrás de um veículo de forma que consiga visualizar, pelo menos, os dois pneus traseiros em contato com o solo. Já em movimento, considere uma distância razoavelmente segura quando você conseguir enxergar completamente a traseira do carro à sua frente.
Mas, complementam os policiais, tais regras são seguras apenas em condições boas de tempo e de piso. “Ao encarar chuva, por exemplo, redobre a distância, a atenção, diminua a velocidade, acenda a luz baixa e procure manter-se à direita”, finaliza Dornelas.