Saúde

Exercícios na gravidez: Uma prescrição médica

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Foi-se o tempo em que gravidez era sinônimo de repouso e inatividade. A ordem unânime dos médicos hoje é que a mulher grávida deve praticar uma atividade física regular durante todo o período da gestação. A única exceção é quando há riscos de abortamento ou parto prematuro - casos que exigem cuidados especiais.

Pesquisas mostram que os exercícios são benéficos tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com o médico obstetra José Osmar Guerini, estudos comprovam que ao ativar sua circulação sangüínea, a gestante manda mais oxigênio para a placenta, tornando mais saudável o desenvolvimento do bebê.

Outra vantagem citada por ele é a diminuição do estresse articular. A atividade física ajuda a controlar o peso, evitando que haja uma tensão exagerada sobre as articulações, o que poderia causar dores à mulher.

“O aumento da barriga e dos seios desloca o centro gravitacional do corpo feminino. No final da gestação, a maioria das mulheres sofre muito, principalmente com dores de coluna. O fortalecimento muscular obtido com os exercícios ajuda o corpo a suportar esse ganho natural de peso, reduzindo as dores”, salienta.

Conforme o bebê se desenvolve e o útero expande, os órgãos vitais começam a ser comprimidos. Isso causa uma mudança em vários aspectos do metabolismo. Uma das mais desagradáveis é a compressão dos pulmões, que altera a função respiratória da mulher nas últimas semanas antes do parto.

“Isso faz com que ela se canse com mais facilidade, tenha dificuldade para fazer tarefas simples do cotidiano, tenha falta de ar para subir escadas e para conversar. A atividade física melhora o condicionamento cardiorrespiratório da gestante e diminui esse mal-estar”, explica.

Os inchaços são outra conseqüência comum na gravidez, causados pela retenção exagerada de líquidos no organismo. Segundo Guerini, os exercícios contribuem para reduzir esses edemas aumentando a transpiração e acelerando o metabolismo, com conseqüente aumento na produção de urina.

Ao diminuir o inchaço, a atividade física melhora a mobilidade das articulações, além de ter um sensível efeito na estética e bem-estar da mulher. “A redução dos edemas é muito importante para o controle da pressão arterial. A hipertensão na gravidez é um dos mais sérios problemas da obstetrícia, que pode levar a uma complicação chamada eclâmpsia”, alerta o médico.

Todo esse conjunto de controle de peso, fortalecimento muscular e condicionamento cardiorrespiratório vai refletir diretamente na qualidade do parto, seja ele normal ou cirúrgico (cesárea).

A educadora física Neiva Gambetti desenvolve um programa de atividades físicas específico para gestantes na Clínica Guerini, em Bauru. Ela comenta que, além dos exercícios de fortalecimento, alongamento e relaxamento, as grávidas também aprendem a trabalhar os músculos do períneo e do abdômen e a respiração. Elas passam meses treinando técnicas de expulsão do bebê.

Especialistas confirmam que esse treinamento reduz as dores ao longo da gestação e prepara o corpo para a realização do parto normal. Isso diminui o tempo e o desconforto do trabalho de parto, além de minimizar a ansiedade da gestante.

Mesmo se houver necessidade de se fazer uma cesariana, o bom condicionamento físico facilita o procedimento operatório, pois reduz a camada de gordura e a flacidez.

Em ambos os casos, a recuperação pós-parto torna-se muito mais rápida e tranqüila quando o corpo está bem condicionado. A musculatura tonificada e o controle de peso ajudam o útero a retomar seu tamanho normal e diminuem muito o risco do aparecimento de estrias e o rompimentos de vasos sangüíneos no decorrer da gravidez.

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