A mobilização nacional contra a dengue para o verão 2003/2004 já começou. O Ministério da Saúde anuncia as novas estratégias da campanha que pretende reduzir o número de casos da doença. Só neste ano, a dengue já atingiu quase 300 mil brasileiros e matou 40 pessoas. Peças publicitárias e o já conhecido “Dia D” estão entre as principais ações previstas.
As peças publicitárias já começam a ser veiculadas em emissoras de televisão, rádios, jornais, revistas, cartazes e outdoors de todo o País. Com o lema “Não dê chance para a dengue”, elas alertam para o risco que a população corre ao descuidar de locais e recipientes que podem se transformar em criadouros do mosquito Aedes aegypti no período das chuvas.
De acordo com a Agência Saúde - assessoria de imprensa do ministério -, nesta primeira etapa, estão sendo distribuídos 10 milhões de folderes e dois milhões de cartazes. Também foram produzidos três filmes de 30 segundos e dez vinhetas curtas para televisão, além da veiculação de ‘spots’ em rádio e publicidade em ônibus, trens, metrôs, jornais e revistas.
A primeira etapa da campanha culminará no evento batizado de “Dia D”. No dia 29 deste mês, todos os municípios do País farão uma grande mobilização social para eliminação de focos do mosquito. Neste dia, serão montados mutirões de limpeza e fiscalização, com coleta e destinação adequada para entulhos que possam servir de depósito de ovos para o pernilongo da dengue.
A idéia é incentivar cada morador a cuidar de sua residência e fiscalizar a vizinhança, enquanto agentes municipais verificam empresas e áreas públicas, como cemitérios, parques, depósitos de sucata, entre outros.
A partir do “Dia D”, o ministério iniciará a segunda etapa da campanha, com novas peças publicitárias que serão veiculadas por todo o verão. Até o final deste ano, o governo federal terá investido cerca de R$ 1 bilhão no combate à dengue, entre campanhas, kits para diagnóstico, inseticidas e pessoal.
O Ministério da Saúde aposta na mobilização social para combater a doença. A única forma de se prevenir a dengue é eliminar os focos do mosquito que a transmite e isso depende de ações individuais. Pesquisas mostram que a maior concentração de criadouros do mosquito está nos quintais e dentro das residências, por isso, o morador é o agente mais importante no controle da doença.
Felizmente, os registros mostram que, entre janeiro e setembro deste ano, houve uma redução de 61,2% no número de casos da doença no Brasil em comparação com o mesmo período de 2002. No ano passado, foram registrados mais de 700 mil casos neste período, enquanto os dados desse ano indicam pouco mais de 298 mil. O ministério atribui esse resultado às ações sociais que vêm sendo desenvolvidas no País.
O diretor técnico de gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde (SNS), Fabiano Pimenta, informa que o País superou sua meta de redução de casos para o período, que era de 50%. Mas alerta para a necessidade de ações contínuas, pois o mosquito recompõe sua população muito rapidamente. Com a proximidade do verão e o início da temporada de chuvas, a dengue volta a ser uma ameaça à saúde pública.
Maior letalidade
Apesar da redução no número absoluto de casos, o índice de letalidade da dengue hemorrágica no País tem aumentado de 2001 para cá e hoje é seis vezes maior do que o aceito pela Organização Panamericana de Saúde (Opas). A informação é do próprio ministério e foi divulgada no lançamento da campanha.
De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 615 casos de dengue hemorrágica, com 40 mortes. O número é menor que o de 2002, com 2.714 doentes hemorrágicos e 150 mortes. Porém em termos percentuais, o índice de letalidade deste ano é de 6,5% (do total de pessoas infectadas), contra 5,56% registrados em 2002.
A meta do ministério para essa nova campanha é reduzir o número de casos da dengue clássica em mais 25% no ano 2004. Para isso, o governo investe duramente nessa mobilização social.
“O Programa Nacional de Controle da Dengue funciona em diversas frentes, não apenas no ataque ao vetor, mas também no saneamento domiciliar, na educação para a saúde e na capacitação de recursos humanos, como educadores de saúde, supervisores, agentes de saúde e médicos para a atenção ao doente”, informa a Agência Saúde.
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A doença
A dengue é uma virose que pode ser transmitida ao ser humano através da picada de um mosquito da espécie Aedes aegypti. Ao picar uma pessoa doente, o inseto torna-se portador do vírus e sua picada pode contaminar outras pessoas.
A infecção pode manifestar-se de duas maneiras distintas: a forma clássica e a forma hemorrágica. A dengue clássica é caracterizada por um mal-estar generalizado e sintomas semelhantes aos de uma gripe forte: febre, dores no corpo (principalmente nas articulações), dor de cabeça, alterações das vias respiratórias. Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo.
Por ser uma virose, não existe um tratamento específico para o paciente com a dengue clássica. O médico observa a evolução da doença e administra remédios para controlar os sintomas, como antitérmicos e analgésicos, enquanto o próprio organismo reage contra o microorganismo.
Acontece que existem diferentes subtipos do vírus e se uma mesma pessoa for contaminada por tipos diferentes do germe, o organismo não consegue reagir. O vírus provoca uma dilatação de veias e artérias, o que pode resultar em hemorragias. Se não for tratada rapidamente, a dengue hemorrágica pode matar em poucas horas.
O Ministério da Saúde adverte que muitos remédios usados rotineiramente para tratar esses sintomas também promovem a dilatação de veias e artérias e podem agravar a doença quando tomado por uma pessoa que tem dengue. Por isso, ao perceber qualquer sintoma suspeito, deve-se procurar um posto de saúde. O medicamento errado pode custar uma vida.
De acordo com a Agência Saúde, mesmo na forma clássica, a dengue pode representar risco de morte em pessoas portadoras de doenças crônicas, como hipertensão e problemas cardíacos. O diagnóstico precoce é fundamental.