Ser

Neuroses nossas de cada dia

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 6 min

A psiquiatria define a neurose como cada um dos vários tipos de distúrbios emocionais cuja característica principal é a ansiedade, mas não se observam nem grandes distorções da realidade externa, nem desorganização da personalidade.

Mas para os Neuróticos Anônimos (N/A), um programa de recuperação para pessoas com problemas mentais e emocionais, a palavra neurótico não é usada em seu sentido científico.

Para ele, neurótica é qualquer pessoa cujas emoções descontroladas interferem em seu comportamento, de qualquer forma ou em qualquer grau, mas desde que ela mesma se reconheça como tal.

Pelo teste apresentado pelo N/A, de neurótico todo mundo tem um pouco e a vida moderna atribulada contribui para que isso fuja do controle e uma simples mania inofensiva se torne uma doença, como o alcoolismo.

“Quando a pessoa chega ao grupo de apoio, ela atingiu o fundo do poço. Já mudou de cidade, trocou várias vezes de emprego, acabou com o casamento e não consegue mais comandar sua vida”, define Andreia, relações públicas de um dos grupos de N/A de Bauru, que também tem seu anonimato preservado.

Ela explica que não adianta nada um irmão, amigo ou parente se dispor a fazer o tratamento. “Você não pode freqüentar as reuniões e se esforçar por alguém que não se assume e não quer ser ajudado.”

A cada reunião, é lido e debatido um dos 12 passos sugeridos pelo N/A e dirigidos à vida da pessoa que realmente que recuperar-se.

De acordo com a relações-públicas, os passos e os depoimentos fazem com que cada um revise a sua trajetória e comece a perceber que as coisas não são como elas imaginam, em virtude das neuroses. “Elas não conseguem enxergar, não deixam que as pessoas as vejam como são de fato e têm uma visão deturpada dos outros”, comenta.

O início

O N/A nasceu nos Estados Unidos, em 1964, quando Grover B., um neurótico e alcoólatra recuperado através dos Alcoólicos Anônimos (AA), sentiu que o programa de AA também poderia ser aplicado na recuperação de pessoas neuróticas que não fossem alcoólatras. A rápida expansão dos grupos de N/A é a prova de que Grover tinha razão quando percebeu que não era preciso ser alcoólatra para se beneficiar do programa de recuperação.

No Brasil, o primeiro grupo foi formado em São Paulo, em abril de 1969, e hoje se encontram unidades do N/A por todo o País.

Em Bauru, existem dois grupos: o Viver de Verdade, que existe há 16 anos com reuniões semanais, às quartas-feiras, das 20h às 22h, no salão paroquial da igreja de Santa Rita, e o Vida Nova, que há 8 anos se reúne, às terças, no mesmo horário, no salão da igreja de Nossa Senhora Aparecida.

Segundo o fundador Groover B. saúde mental e emocional é tão rara que as poucas pessoas que gozam dessa saúde formam apenas uma pequena minoria. Uma vez que a grande maioria das pessoas - 95% da população - sofre da doença mental e emocional, pode-se dizer que, do ponto de vista estatístico, a ocorrência da doença mental e emocional pode ser considerada como norma. Dessa maneira, é possível dizer que as pessoas mental e emocionalmente doentes se situam na faixa do que pode ser considerado normal.

E como as pessoas mental e emocionalmente sadias, no extremo oposto, constituem uma minoria muito pequena, pode-se dizer então, que elas estão também podem ser consideradas anormais.

• Serviço

As reuniões dos Neuróticos Anônimos são realizadas em Bauru, das 20h às 22h, na terça-feira, na igreja Nossa Senhora Aparecida, quadra 4 da rua Araújo Leite e na quarta-feira, no salão da igreja de Santa Rita, quadra 12 da avenida Duque de Caxias.

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Lemas de "N/A"

1. Fazer primeiro as coisas primeiras.

2. Devagar se vai ao longe.

3. Viver e deixar viver.

4. Viver na Graça de Deus (cada qual como O concebe)

5. Esquecer os prejuízos.

6. Recomendar-se a Deus incondicionalmente.

7. Só por hoje (um programa de 24 horas que corta a vida em “pedacinhos mastigáveis”).

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Você é uma pessoa neurótica?

1. Você tem medo de estar sozinho, sair de casa, dirigir um carro ou fazer uma viagem fora da sua cidade?

2. Você se sente diferente ou “deslocado” quando está com outras pessoas?

3. Você freqüentemente negligencia seus afazeres, dorme muito, sente-se constantemente cansado ou sem energias?

4. Você já tentou o suicídio ou pensou seriamente em cometê-lo?

5. Você precisa de tranqüilizantes ou outras drogas (que alteram a mente) para atravessar o dia?

6. Você assume mais responsabilidades do que pode? Tem uma atitude de tudo ou nada?

7. Você vive tenso, incapaz de relaxar e não consegue dormir?

8. A tensão, ansiedade e preocupação afetam seu trabalho?

9. Você sente que outras pessoas não o compreendem ou não compreendem seus problemas?

10. Você sente que outras pessoas “estão lhe olhando” quando você trabalha ou quando você está em público?

11. Você acha que seu casamento está em perigo?

12. Você tem problemas sexuais?

13. Você sente que a vida já não tem “sentido”?

14. Você fica tão irado que chega a perder o controle?

15. Você entra em pânico quando está sob tensão?

16. Você vive chorando?

17. Você se sente “culpado”?

18. Você sofre de depressão?

Resultado:

• Se respondeu sim a qualquer uma das perguntas acima, é possível que você seja uma pessoa neurótica.

• Se respondeu sim a duas perguntas acima, é bem provável que você seja uma pessoa neurótica.

• Se respondeu sim a três ou mais perguntas acima, então é quase certo que você seja uma pessoa neurótica.

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'Sou neurótico, mas sou bonzinho'

Woody Allen tem medo de elevadores, túneis e até de certos ralos de chuveiro. Por essas coisinhas à toa, dizem que ele é um neurótico. E nem precisam se acanhar por isso, já que o diretor é o primeiro a reconhecer a condição:

“Sou um neurótico do bem. Tenho hábitos neuróticos, não gosto de entrar em elevadores, não passo por túneis e gosto de chuveiros que tenham ralo no cantinho, nunca no meio”, disse Allen numa entrevista depois da sessão de sua comédia “Anything else” para a imprensa, em agosto em Veneza.

Se o medo de elevadores é coisa séria - tanto que forçou o elenco, incluindo Christina Ricci e Jason Biggs, a subir três lances de escadas para a coletiva, suas outras manias são mais inofesivas.

“Corto a banana em sete fatias todas as manhãs, antes de misturá-las no cereal”, disse o criador de personagens neuróticos como o Isaac Davis de “Manhattan”, de 1979. Essas coisas não fazem mal a ninguém, mas são absolutamente neuróticas.

Os personagens de Allen, notoriamente instáveis e na maioria das vezes interpretado por ele mesmo, sofreram de uma variedade enorme de fobias, medos e neuroses ao longo dos mais de 40 anos de carreira. Freqüentemente, eles procuravam soluções no divã do psicanalista.

Na sua mais recente comédia romântica, Allen, aos 67 anos, interpreta David Dobel, um professor de segundo grau envelhecido e, claro!, neurótico, que se vê cercado por conspirações anti-semitas imaginárias. Mas esse personagem é mais do que um mero esquisitão. Seus medos - todos inventados - o transformaram num homem violento.

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