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As bravatas de Luiz Inácio


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Ao falar novamente de improviso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva soltou o verbo em Campina Grande, na Paraíba, terra de cabra macho. Foi inaugurar um aeroporto e aproveitou para decolar. Chamou os ex-presidentes, seus antecessores, de “covardes”. Acusou-os de não terem tido a coragem de mudar o Brasil. Disse a verdade. Desde D. Pedro II giramos no mesmo lugar feito pião quando se trata de justiça social. Mas ele, Lula, também, até o momento, só soltou bravatas. Prometeu o “espetáculo do crescimento” e o povo só viu o crescimento do espetáculo. Os indicadores de desemprego batem recordes. O trabalhador perde poder aquisitivo.

O governo, ao acusar seus antecessores de covardes, não deve se esquecer do medo que teve de baixar a taxa oficial de juros em apenas um ponto percentual, na última reunião do Copom. Ainda outro dia, o ministro Guido Mantega, do Planejamento, queria cortar R$ 3,5 bilhões do orçamento da saúde. Provou imediata reação do velho Adib Jatene, ex-ministro da Saúde, cujo pecado foi criar a CPMF para tirar o atendimento médico-hospitalar do buraco. Deu no que deu. Eternizaram a Contribuição Provisória do Cheque para outros fins.

O gasto per capita do Brasil com saúde pública no Brasil é igual ao de Zâmbia - US$ 100 por ano. Os países desenvolvidos gastam de US$ 1.500 a US$ 4 mil por pessoa/ano. O argumento do ministro Mantega é que estava “repassando recursos para o Fome Zero”. A melhor forma de acabar com a doença - segundo ele - é dar comida ao povo. Tem seu fundo de verdade. Mas será que também acaba com o câncer, a necessidade de hemodiálise e também evita o parto depois de nove meses de gravidez? Os hospitais públicos e filantrópicos estão falidos. O corte somente serviria para desorganizar ainda mais a saúde do País. Mantega, como economista, deveria contar a verdade: os cortes foram motivados por metas acertadas com o FMI.

Esse mesmo senhor disse que não entendia porquê o governo deveria pagar indenização às vítimas da ditadura militar. O pagamento é devido aos torturados, presos sem culpa formada, perseguidos, exilados, banidos e famílias de pessoas mortas nas enxovias do Estado porque foi esse o desejo da sociedade brasileira de reparar crimes cometidos por agentes públicos e devidamente transformado em lei. Agora não é hora de se colocar em dúvida as razões da indenização. Pague-se.

No dia em que o presidente Lula anunciou o Bolsa-Família, o ministro Guido Mantega disse que não tinha dinheiro para implementar o programa. Esse sim, um covarde. Se tiram dos superpobres, imagine do resto. Estão enganando o Lula. Os marqueteiros o animam a produzir discursos de salvação nacional e mudanças fantásticas. Auto intitula-se “o maior líder sindicalista do País, sem medo de cara feia da direita ou da esquerda e eleito presidente para fazer o que precisa ser feito”. Para ele, as reformas tributária, previdenciária e a agrária já estão concluídas. Se o povo esperar mais um pouquinho, vai conhecer as reformas administrativa, trabalhista e a de estrutura sindical.

Entre o governo do povo e a farsa existe uma tênue linha de separação. Entre o pensar pelos outros, agir depois de pensar e executar o que foi pensado, há uma longa distância a percorrer. “Entre a idéia e a realidade, entre o movimento e a ação cai a sombra” - diz um poema de Thomas S. Elliot. (O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC)

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