Faz sete anos que estou morando em Bauru e nesse período é latente o quanto a cidade desperdiçou de oportunidades para crescer de forma sustentada e perene. Duas cassações de alcaides e de alguns vereadores depois e nada mudou nos limites morais e éticos da nossa classe política. A expectativa sempre otimista vai se esvaindo até secar a fonte e nada muda na forma de administrar o erário. Ao contrário, vemos homens públicos brincarem com a esperança de milhares de pessoas sem o menor constrangimento.
Quem pode atirar a primeira pedra na situação ou na oposição depois de tudo que aconteceu aos olhos do povo tanto na Câmara Municipal como no Palácio das Cerejeiras? Quem pode sonhar com uma renovação definitiva nas próximas eleições em 2004, se os nomes pré-anunciados são os mesmos que flutuam na barcaça do poder, ora no convés ora na proa? Uma reforma política contendo mudanças radicais na atual estrutura político partidária seria o ponto de partida para uma profunda reestruturação nos atuais quadros políticos que dominam a cena em nossa cidade. Talvez fosse a alternativa para que a cidade pudesse começar a respirar ares de mudança na sua atual conjuntura.
Sem essa reforma teremos que conviver com o velho, ultrapassado e insustentável modelo que faz conchavos, manobras e permite a proliferação dos acordos espúrios que tanto têm prejudicado o desenvolvimento da cidade. Qual a grande obra que foi realizada em Bauru nos últimos dez anos? Um projeto de expansão de Shopping arquivado, um Aeroporto Internacional inacabado, a duplicação da Bauru-Marília? Ao contrário, recebemos o depósito de menores da Febem que produz fugas e rebeliões mas não consegue recuperar um único menor. Ou seria a profusão de penitenciárias o grande sonho do nosso povo em termos de obras importantes para o município e região?.
Pois essa ausência do poder estadual e federal está ligada intimamente à situação que a classe política nos expõe com suas idas e vindas nos corredores da política local, que, míope, não enxerga um palmo a frente da sua retórica.
O reserva assume e traz figuras que julgávamos adormecidas no limbo da política, ao passo que o titular retorna e consegue não fazer uma única mudança que seja na sua cambalida e criticada equipe de governo, ao menos uma para nos surpreender. Nem ao menos nessa hora podemos acreditar na redenção de quem sofreu um processo de desgaste sem igual. Ou da parte daqueles que sonhavam com o éden mas acordaram longe do trono. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)