Para garantir proteção às crianças, desde o último dia 14 o portal de serviços da Microsoft fechou todas as salas de bate-papo na Internet na Europa, Oriente Médio, na maior parte da Ásia e América Latina. No Brasil, as salas passam a funcionar com moderadores que supervisionam conversas 24 horas ao dia. Porém, a medida não coíbe a troca de imagens infantis pela rede, conforme constatou o JC.
Numa sala também supervisionada de outro portal, que traz a mensagem “pedofilia é crime†no papel de parede, a reportagem conseguiria imagens infantis em dez minutos.
De acordo com o hacker consultado pelo JC, a facilidade é justificada pelo frágil monitoramento realizado por meio de inteligência artificial. Na opinião dele, somente uma fiscalização realizada por seres humanos seria capaz de inibir a prática.
“Não existe mais controle sobre a Internet. Agora, a saída é trabalhar a consciência humana. Você tem que preparar seu filho para conviver com tudo o que está na rua e na Internet. O acompanhamento dos pais é fundamentalâ€, diz a psicóloga Ana Cristina Pereira.
O consultor de informática, Eduardo Lourenço Pinto Júnior, pai de duas crianças - uma de 8 anos e outra de 12 anos -, concorda com ela e reconhece que essa nova realidade é um desafio. “Não tivemos isso na nossa infância. Por mais chato que seja, o ideal é que os pais conheçam o ambiente. Assim, fica mais fácil orientar seus filhosâ€, recomenda.
Também para ele, a iniciativa da Microsoft não saneará a rede mundial de computadores, e estaria sendo adotada somente para preservar a imagem da empresa.
“Como líderes responsáveis, sentimos ser necessário fazer essas mudanças porque o uso dos serviços de bate-papo online está sendo cada vez mais deturpadoâ€, afirma um representante da Microsoft em nota oficial.
Por essa razão, organizações não-governamentais (ONGs) que defendem os direitos de crianças e adolescentes aprovam a iniciativa, classificando-a como “oportunaâ€. Segundo elas, trata-se de um passo importante para a proteção de usuários mais jovens da Internet.
Avaliação semelhante faz a mãe (que preferiu não divulgar o nome) de dois garotos - um de 10 anos e o outro de 12 anos -, para quem o fechamento das salas é bem-vindo. Sob o olhar materno, seu filho mais novo garante que só entra para conversar com uma garota da escola.