Regional

Grupos pressionam por reforma agrária

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A ocupação de áreas no Brasil pelos movimentos de sem-terra, não somente do MST, tem a intenção de pressionar o governo a fazer a tão sonhada reforma agrária, historicamente prometida pelo partido do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, o PT.

Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informam que no ranking dos Estados com maior ocupação lidera Pernambuco com 23.842 famílias acampadas.

Sete Estados concentram 60% dos acampados, segundo dados da pesquisa da Agência Folha. São eles Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná e Pernambuco.

A seção do Incra em Marabá informa que no Sul do Pará existem 4.661 famílias cadastradas. Outras 6 mil têm recebido cestas básicas nos acampamentos da região. No Incra do Mato Grosso do Sul, estão cadastradas 28% das 19.307 famílias acampadas em todo o Estado.

O coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, em recente entrevista à Agência Folha, admitiu que as ocupações são uma das formas de pressionar o governo pela reforma agrária.

Na opinião dos sem-terra, a reforma agrária maciça e que visava beneficiar os acampados ficou em segundo plano com a mudança na presidência do Incra. A troca de Marcelo Resende por Rolf Hackbart foi considerada uma traição pelo sem-terra por parte do Planalto.

Por outro lado, os sem- terra evitam descumprir a medida provisória antiinvasão. A MP proíbe por dois anos as avaliações e vistorias em terras invadidas. No acampamento de Presidente Alves, por exemplo, o diretor Irineu Xavier de Oliveira admite que dificilmente a área será vistoriada pelo Incra. “Resultado da MP. Toda área ocupada fica interditada para vistoria.”

A medida provisória desacelerou o número de invasões, que registraram uma queda de 44% de julho para agosto, segundo o governo federal. Porém, de janeiro a agosto ocorreram 184 invasões em todo o País. O número supera o registrado nos dois anos anteriores. Em 2001 foram 158 e, em 2002, 103.

Em recente visita a Bauru, o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Antonio Duarte Nogueira Júnior, declarou que São Paulo vem fazendo os seus assentamentos nas áreas que cabem para a reforma agrária, respeitando a fila dos cadastrados e, ao mesmo tempo, criando condições para que eles possam se tornar agricultores familiares.

Para ele, o tratamento do governo estadual é firme. “Tratamos com a firmeza que este tipo de relação necessita, cumprindo a legislação, com a responsabilidade de quem tem a nuance democrática como forma de conduzir a sua administração.” Na região de Bauru, existem cinco acampamentos com cerca de 850 integrantes.

Tarefas são divididas por núcleos

Nos acampamentos do MST, há uma divisão de funções. Em Presidente Alves, por exemplo, são quatro núcleos, cada um deles coordenado por um especialista naquele assunto.

Irineu Xavier de Oliveira, um dos diretores do acampamento, explica que há o pessoal da infra-estrutura, higiene e limpeza, saúde e segurança e educação.

O grupo encarregado da infra-estrutura, atualmente constrói uma sala de reuniões para possíveis eventos. “Reuniões e até alfabetização de adultos, que é um desejo nosso.”

Uma cruz colocada no acampamento lembra que a religiosidade também é uma filosofia do movimento. “Não adotamos uma religião, mas costumamos fazer cultos ecumênicos”, conta.

Nos demais acampamentos visitados, a organização existe e segue mais ou menos o mesmo esquema, com algumas adaptações próprias do local.

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