Regional

Aumento rápido de famílias preocupa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O motivo do crescimento veloz do número de famílias em acampamentos de sem-terra em tão pouco tempo, segundo as lideranças dos grupos, é a falta de alternativas para que as pessoas continuem vivendo na zona urbana. O restrito mercado de trabalho e o índice de desemprego seriam os fatores que provocam o “inchaço” dos acampamentos.

Celso Costa, do grupo Terra Nossa, lembra que, inicialmente, os acampados vinham de regiões mais distantes. “Limeira, Campinas e São Paulo”, enumera ele. Atualmente, os sem-terra chegam de cidades vizinhas como Pederneiras, Jaú e até de Bauru.

As 21 famílias do acampamento fazem parte de um total de 880 mil pessoas que vivem debaixo de lona à espera da criação dos assentamentos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a atual quantidade de trabalhadores rurais nos acampamentos representa um crescimento de 228% em relação ao último semestre do governo Fernando Henrique Cardoso (60 mil famílias acampadas) e de 33% sobre o último mês de julho (148 mil).

No acampamento do MST de Presidente Alves, intitulado Maria Margarida Alves, as pessoas chegam daquela região. “Eles chegam de Presidente Alves, Pirajuí, Reginópolis, Bauru, Avaí e Marília. Nessa região, são 14 áreas que aguardam vistoria do Incra.”

No acampamento de Guarantã, a situação é diferente, garante um dos coordenadores do movimento, Aparecido Vaz da Silva. “O grupo é formado por moradores de Guarantã. Ainda não recebemos gente de fora da cidade.”

Na fazenda Olho D’ Água, em Itapuí, os acampados são de várias partes do Brasil. “Tem gente da nossa região e até de outros Estados, como Minas Gerais. Não fazemos nenhuma restrição. Exigimos um comportamento adequado através do nosso estatuto. Cada um que chega tem que assinar o estatuto.”

O mote de todos os movimentos é tirar o sustento da terra, frase sustentada por Celso Costa do movimento Terra Nossa para justificar o aumento no número de acampados. “Eles não têm como sobreviver na cidade e chegam ao acampamento na esperança de possuir um pedaço de terra para produzir onde nada é produzido.”

Para ser integrante do grupo, é preciso respeitar alguns requisitos, avisa o coordenador. â€œÉ básico que o interessado não tenha passagem pela polícia. Antes dele construir seu barraco, tem que entregar o DVC (Divisão de Vigilância e Captura).”

A exigência tem um motivo claro, explica o acampado. “Não temos preconceito algum, mas pessoas com passagem pela polícia podem trazer problemas para o movimento. Não são úteis vivendo em comunidade.”

Estatuto dos acampados da Fazenda Olho D’Água

1- Fica proibido o uso de substâncias químicas de qualquer espécie, inclusive bebidas alcoólicas.

2- Fica proibido o uso de armas de fogo.

3- Fica proibido os roubos e agressões entre os acampados.

4- Fica proibida a venda ou troca de lotes.

5- É obrigatória a permanência no lote.

6- Cada um dos acampados é responsável pelas visitas que receber.

7- Fica obrigatório o plantio no lotes.

8- Perderá o direito o acampado que descumprir o item 4, deixando o lote por mais 15 dias desabitados.

9- Fica o acampado obrigado a manter em seu poder cópia da chave da portaria.

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