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Duas mulheres comemoram 100 anos em Bauru com festa

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar do aumento da expectativa de vida do brasileiro, chegar aos 100 anos nos dias de hoje ainda é um acontecimento inusitado. Mais ainda quando ocorre em dose dupla. Anteontem, duas mulheres comemoraram, em Bauru, a chegada do centésimo aniversário, com direito a bolo, refrigerante e muita animação.

Francisca Maria Martins Garcia dos Santos tornou-se uma centenária no último dia 28. No entanto, a festa foi realizada, em um buffet da cidade. “Ela está muito contente com a comemoração”, ressalta a bisneta Raquel Garcia Marchioni de Barros.

A alegria também foi a tônica do último sábado para Rosa Romanoff, que completou 100 anos naquele dia. Nascida em Itatiba, ela mora atualmente na Vila Vicentina, asilo para idosos localizado no Parque São Jorge.

Espirituosa e cheia de vitalidade, ela ganhou uma festa de presente dos voluntários que ajudam na entidade. Bolo, cachorro-quente e música não faltaram para marcar a entrada dela no centésimo ano de vida. “Eu estou muito feliz por ter chegado até aqui. E devo tudo isso a Deus”, completa.

Rosa não teve a companhia de seus filhos, netos e bisnetos durante a festa. De acordo com o voluntário da Vila Vicentina Richard Ferreira, os parentes dela moram em São Paulo e não puderam comparecer. “Os filhos da dona Rosa também já são de idade e têm dificuldade para se locomover”, explica.

Determinação

Lúcida e bem-humorada, a centenária consegue narrar, com riqueza de detalhes, cada passagem de sua vida. “O meu avô, José Antonio Moraes Barbosa, foi combatente da Guerra do Paraguai. Como ele ganhou muitas batalhas, recebeu várias condecorações”, salienta.

O pai e o irmão de Rosa foram funcionários da Noroeste do Brasil, em Bauru. Ela, como não pôde estudar devido aos costumes da época, dedicou-se às prendas domésticas e até hoje costuma fazer crochê para passar o tempo. “Enquanto estou trabalhando, não choro e não fico triste com saudade da família”, diz.

O marido dela morreu há 36 anos. Depois disso, ela passou a morar com os familiares em São Paulo.

De acordo com Richard Ferreira, Rosa Romanoff está há oito anos no asilo da Vila Vicentina. “Ela mesmo escolheu vir para cá, pois achava que dava muito trabalho para os filhos”, destaca.

Na entidade, ela dispensa a enfermaria e prefere ficar sozinha em seu quarto. Os filhos sempre entram em contato com ela para saber notícias, mas dificilmente a visitam.

Como é uma pessoa muito querida dentro da Vila Vicentina, Rosa ganha, todos os anos, uma festa de aniversário organizada por Ferreira. “Desde que eu comecei a freqüentar o asilo como voluntário, organizo a comemoração”, destaca.

A festa de anteontem contou com a participação da Pastorarte, grupo ligado à igreja católica que visa promover os artistas da cidade e incentivá-los a se comprometer com obras sociais através de sua arte.

A equipe é coordenada por Padre Beto, mas não tem cunho religioso. “A arte já é uma coisa de Deus por si só”, explica o padre. Alguns artistas marcaram presença na festa, animando os moradores da Vila Vicentina e prestando uma homenagem à centenária Rosa Romanoff.

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