O interesse pelo estudo de línguas estrangeiras é apontado pelos participantes do 24.º Encontro de Esperanto do Estado de São Paulo e 12.º Encontro Sul-Brasileiro de Esperanto, encerrados ontem na Universidade do Sagrado Coração (USC), como um dos principais fatores que os levaram a se interessar pelo idioma.
“Este é um dos valores mais importantes do esperanto. Através dele, você aprende mais fácil outras línguas, como o francês e o inglêsâ€, afirma o professor de inglês Aldrin Speck, que veio de Florianópolis (SC) apenas para participar do encontro.
A opinião é compartilhada pelo bauruense José Roberto Freitas. “Gosto muito de línguas e o esperanto facilita muito o aprendizado do francês e do espanholâ€, diz.
A explicação está no fato do esperanto agrupar traços gramaticais e estruturais de idiomas distintos. Muitas expressões, inclusive, são similares a seus significados em outras línguas. A estudante Priscila Martins, de Agudos, afirma que esse fato foi o que despertou a sua curiosidade. “São várias línguas misturadas. Achei isso muito interessanteâ€, declara.
Outra participante do encontro, Aparecida Ruiz Tagliari, de Araraquara (SP), afirma que começou a praticar a língua há oito anos. “Sempre gostei de estudar e o esperanto é muito interessante. O idioma traz o mundo para dentro da sua casaâ€, diz.
Já Palmira Bernachi, que veio da mesma cidade, acredita que a prática do esperanto também pode ser considerada um hobby. â€œÉ algo muito bom para preencher o tempo. É um idioma muito bonito e de fácil compreensãoâ€, justifica.
O presidente da comissão organizadora do encontro, José dos Santos Simas, calcula que 100 pessoas participaram ativamente das palestras e discussões do evento. “Ele é importante porque acaba divulgando mais o esperanto e ajudando a difundi-lo. Sempre aparecem mais interessadosâ€, opina.
Origens
O esperanto foi criado no século 19 pelo médico Lázaro Luiz Zamenhof, em Varsóvia, na Aústria, com o objetivo de se transformar em um idioma universal. Atualmente, a estimativa é de que haja associações e sociedades do idioma em 120 países.
O delegado-chefe da Associação Universal de Esperanto no Brasil, James Rezende Piton, acredita que encontros como o que foi realizado em Bauru servem para que os professores do idioma se interessem ainda mais em ensiná-lo. “Cada um trabalha em sua cidade e quando todos se juntam para falar de suas experiências, se sentem mais motivadas a continuar esse trabalho voluntárioâ€, opina.
Ele afirma que o ensino do esperanto no País poderia ser mais difundido. “Ainda falta informação, mas com a Internet tivemos um impulso grande, porque até nas cidades mais remotas da Amazônia é possível consultar dados sobre a línguaâ€, afirma.
Piton diz que uma grande festa está sendo preparada para 2006, quando se comemorará o centenário de fundação do primeiro grupo de esperanto do Brasil. “O nosso congresso nacional será em Campinas (SP), cidade onde ele foi criadoâ€, revela.