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Porta da cidadania


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Os jovens estão, assim, meio sem causa, sem identidade, em busca de caminhos para se inserir na sociedade e se perceber como cidadãos numa era maluca, de muita informação e pouca justiça social. Percebem as conseqüências da realidade, mas não conseguem entender em profundidade as causas. Ícones aparentemente desconectados da realidade tornando-se suas referências, na escola, na convivência social, nas ruas, os afastando do engajamento social e político e da participação organizada a favor de causas e reivindicações importantes da sociedade.

Dessa forma, torna-se necessário, com urgência, desenvolver e fortalecer ações direcionadas ao incentivo da cidadania, da politização e do anseio de estudar, trabalhar, reivindicar e participar de decisões sobre o futuro da Nação. De acordo com o Censo Demográfico 2000, do IBGE, aproximadamente 56 milhões de brasileiros tem idade inferior a 17 anos. O dado mostra a responsabilidade da Nação de garantir a esses jovens, acesso total à cidadania. Para isso são fundamentais a inclusão social, educação, saúde e preparação adequada para o mercado de trabalho.

As projeções populacionais do IBGE indicam, também, que, em 2020, surgirá um novo perfil demográfico favorável ao desenvolvimento, pois as pessoas economicamente ativas serão bem mais numerosas do que as inativas (idosos e crianças). Porém, este potencial será inútil se o País não conseguir gerar empregos (o mais eficiente canal de inclusão social) para essas pessoas.

Como se vê, a Nação precisa cuidar mais de sua juventude, que hoje, infelizmente, é pouco envolvida com as ações de cidadania. São crianças e adolescentes que não conseguem enxergar um futuro promissor. Acostumados desde cedo aos obstáculos do desemprego e baixa renda dos pais, são vítimas e, ao mesmo tempo, agentes da violência das ruas, dos guetos, das favelas e dos abismos subdesenvolvidos de um Brasil nem sempre conhecido e assumido pelos privilegiados.

Cumprir o dever de propiciar cidadania à juventude é tarefa complexa, um desafio que ultrapassa o dever constitucional do Estado e abrange a consciência ética e a responsabilidade social de cada pessoa e de instituições pública ou privada. Não são suficientes o direito ao voto, os programas convencionais de atenção à saúde, escolaridade, alimentação e formação profissional. Tudo isso, claro, é fundamental, mas é preciso ir mais fundo, entender os códigos de linguagem, estética, moral, ética e cultural de nossa juventude. São estes os reais ícones de seu tempo, a sua visão própria da realidade. É preciso estudá-la, compreendê-la. Só assim será possível minimizar essa conjuntura desfavorável, na qual os jovens ainda não conseguem exercer a cidadania. O exercício dela é essencial para que eles sejam responsáveis por uma rápida transformação nacional.

As necessidades da juventude devem ser vistas sob uma ótica que mistura audácia, emoção, modernidade e linguagem própria. Sem estes elementos, fica difícil promover qualquer atividade que atraia o seu envolvimento. Os desejos da juventude estão impregnados de desafios, inquietações e descobertas. É o caso, por exemplo, dos esportes radicais, como o surf e skate, e de manifestações artísticas, como hip hop e rap. Não se podem ignorar os elementos expressos nestas atividades quando se elaboram políticas públicas (estas, sim, um dever do Estado) direcionadas a estimular o jovem à maior participação cívica.

Ao contrário do que alguns imaginam, é possível extrair dessas manifestações traços fortes de cidadania, como o respeito ao próximo. Estas atividades podem ser imensos portais de acesso dos jovens aos necessários programas de saúde, educação e profissionalização, bem como de estímulo à sua participação organizada na vida política e social.(O autor, Alberto “Turco Loco” Hiar (PSDB), é deputado estadual em São Paulo)

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