Surpreende-nos a falta de conhecimento revelada pelo colaborador Alberto Monte Gobbo, em texto publicado, no dia 31 último, neste importante órgão de imprensa. As chamadas “reflexões” do autor sobre o Hospital Estadual (HE) de Bauru reúnem, na verdade, informações desencontradas e observações desconexas que em nada contribuem para que a opinião pública faça uma exata avaliação do desempenho do Hospital Estadual “Arnaldo Prado Curvêllo” e de sua importância no sistema público de saúde.
Ao contrário do que enunciam as “reflexões” publicadas, o HE iniciou, há um ano, sob gestão da Faculdade de Medicina da Unesp, um processo organizado e gradual de implantação de serviços, e que deverá alongar-se até abril de 2004. Até esta data, final de outubro de 2003, metas foram antecipadas e muitas etapas superadas, de forma a disponibilizar, a tempo e hora, com segurança e resolutividade, maior atendimento ao público. Isso significa dizer que todos os serviços previstos foram e estão implantados, com exceção da unidade de queimados, que deverá funcionar no próximo ano.
Na mesma data em que era publicado o referido artigo, o HE fechava um balanço em que se registrava a realização de 43.417 consultas ambulatoriais e 2.078 consultas de urgência; 1.759 cirurgias e 3.543 internações. Nessa mesma data, estavam em atividade no hospital 211 leitos, com 31 deles localizados nas UTIs de adultos, infantil e coronariana.
Pode-se ver, por esses números, um quadro bem diverso daquele esboçado pelo senhor Gobbo. Além disso, também contrariando as “reflexões” do autor, todos esses serviços do HE receberam aprovação, conceituados como “ótimos e bons”, por parte de 90% dos pacientes, conforme manifestações colhidas pelo Serviço de Atendimento ao Usuário da instituição.
O aparato médico-hospitalar do HE está sendo hoje operado por 787 funcionários entre médicos e profissionais técnico-administrativos, todos eles selecionados por concurso público e sem quaisquer interferências externas. O próprio autor das “reflexões” é testemunha desse fato, pois submeteu-se, sem sucesso, a esse processo seletivo, não constando, assim, do quadro médico formado, agora, por 153 especialistas. Dos aprovados e efetivados, também ao inverso do que assinala o artigo, apenas quatro deixaram suas funções: um por decisão da Direção Técnica, e outros três por razões diversas.
Como se vê, o HE está implantado, realizando os serviços que estavam previstos e preparado, portanto, para dar cada vez mais e melhor assistência ao sistema público regional de saúde. Não há subutilização, não há desmotivação, não há desesperança e nem problemas que possam colocar em risco o atendimento ao público. O HE é, hoje, uma realidade e, como foi planejado, sua importância, como unidade de referência e de alta complexidade, crescerá ao longo do tempo dentro do complexo hospitalar da região.
Esperamos que, com estas breves informações, possam ser recolocadas ao entendimento público as verdades que a leitura das “reflexões” do senhor Gobbo parece confundir.
O autor, Emílio Carlos Curcelli, é professor assistente da Faculdade de Medicina da Unesp/Botucatu e diretor executivo do Hospital Estadual “Arnaldo Prado Curvêllo” de Bauru.