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Mulheres indígenas propõem união das etnias para reivindicar direitos

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

O 2.º Seminário Regional das Mulheres Indígenas Paulistas, que teve início ontem em Bauru, conta com a participação de diversas etnias, não só de São Paulo como também de outros Estados. No primeiro dia do evento, realizado no Obeid Plaza Hotel até quinta-feira, os representantes de diferentes comunidades discutiram a atuação das mulheres na questão das políticas indígenas.

A coordenadora do encontro, Jupira Manoel Sobrinho, que é presidente da Associação de Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista, comenta que a participação de representantes do governo municipal e da Fundação Nacional do Índio (Funai) possibilitam uma cobrança objetiva dos direitos dos indígenas.

“As mulheres estão aqui para cobrar essa responsabilidade diretamente dos governos federal, estadual e municipal. Hoje, somos uma minoria, mas isso não significa que somos fracos. Estamos cada vez mais fortes, conquistando e conhecendo nossos direitos e nosso espaço. E a mulher faz parte desse processo”, diz.

Entre outros temas que serão abordados nessa semana, em palestras, plenárias e discussões, estão a demarcação de terras para os povos, educação, cultura, saúde e políticas públicas. “Também vamos propor mais seriedade e respeito com a causa indígena, porque hoje temos um descaso total, na demarcação de terras, na educação das nossas crianças e quanto à nossa cultura”, diz Jupira, que é da etnia terena.

O Estado de São Paulo conta atualmente com povos das etnias guarani, guarani m’bya, guarani nhadeva, kaingang, krenak, pankararu e terena. Esther da Silva Sobrinho, que já participou de lideranças na luta pelos direitos indígenas, enfatiza que o encontro tem o mérito de reunir representantes de todos os povos do Estado e de outras unidades da Federação como Paraná e Mato Grosso do Sul.

“É muito importante a participação dos patrícios, principalmente dos guaranis, que são mais isolados, não gostam de ficar na civilização. A participação de todos abre as portas, multiplica a mentalidade da nossa causa”, declara.

O encontro, segundo ela, incita a mobilização não somente entre as lideranças, mas também entre os membros de cada tribo e dos indígenas que vivem nas cidades. “Todos vão sentindo esse apoio, criam uma nova mentalidade e ficam sabendo dos seus direitos. É disso que o nosso povo precisa, uma nova conscientização, e para isso, a semente já está começando a brotar”, afirma Esther.

O encontro tem como tema “Luta e Vida da Mulher Indígena”, e será finalizado com a elaboração de um manifesto sobre o assunto, que será assinado por todos os participantes e encaminhado para os governos federal, estadual e municipal.

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