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Busca por conforto revela inventores

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Persianas automáticas? Um botão para preparar a sala para um encontro romântico? Hoje é o Dia Nacional do Inventor, o responsável por idéias malucas tornarem-se realidade para resolver problemas do cotidiano ou satisfazer um desejo.

O supervisor de distribuição Eliphas Bueno Resende, em suas horas vagas, é um mestre em eletrônica e um “Professor Pardal”. Sua casa é recheada de inventos que, segundo ele, visam o conforto e a segurança da família. Controle automático com trava e painel digital na porta da sala, controles para iluminação e ventilação dos ambientes, persianas automáticas, sistema de som e TV interligados, iluminação de emergência, tudo montado pelo inventor em sua “moradia do futuro”.

“Desde pequeno eu já era meio xarope com essas coisas de eletrônica. Com 9 anos de idade, eu fazia carrinhos com lata de óleo e um motorzinho. Meu carrinho de rolemã tinha farol e pisca alerta”, lembra Resende.

As invenções são visíveis já na porta de sua casa, que tem trava controlada por um teclado digital. “A senha abre a porta, a grade da bicicleta, acende a luz e desbloqueia as tomadas da área. Se eu digitar a senha errada, bloqueia tudo, a porta não abre”, explica. Por questão de segurança, ele manteve a boa e velha fechadura na porta.

“Este painel pode ser colocado em todos os ambientes da casa. Eu monto com componentes, compro em loja de material eletrônico, uso coisas simples. Aqui em casa, é tudo interligado”, comenta Resende.

A residência tem sistema de iluminação de emergência, com lâmpadas em todos os cômodos ligadas a uma bateria de automóvel. Além disso, várias luzes da casa e o funcionamento do aquário são ligadas a um timer (temporizador), que pode ser programado para ativar cada função em horário determinado.

Para a hora de sair ou de dormir, a casa ainda possui um controle geral que desliga todas as luzes, ventiladores e outros equipamentos. Resende instalou dois um na porta da sala e outro em seu quarto.

Apartamento

O engenheiro eletricista Elço Bonomo também tem seus momentos de “Professor Pardal”. Entre outros inventos, ele adaptou uma lâmpada a um ventilador para reduzir o barulho do aparelho.

“Eu já fiz bastante coisa, mas o problema é que moro em apartamento e não tem espaço. Eu gostaria de ter uma bancada para trabalhar e criar essas coisas”, diz.

Além de montar antenas para rádios de comunicação, consertar eletrodomésticos e ficar fuçando em casa, como ele mesmo diz, o inventor conseguiu aperfeiçoar um sistema de iluminação de emergência que tinha adquirido.

“Eu adaptei para uma caixa menor, porque ele era muito grande, desajeitado. Ele ficou mais sofisticado, e com os componentes, eu montei ainda outra central”, comenta.

Uma de suas vontades é montar o sistema de alarme de sua casa – quando se mudar para uma. “Eu quero comprar a central, mas vou incrementar. Quero colocar um módulo de alimentação e também uma forma alternativa de enviar o alarme para um local externo, como uma empresa de segurança, talvez via rádio”, diz.

Com idéias criativas e nem tão malucas assim, inventores como estes transformam suas casas em um verdadeiro labortatório. Como hobby ou trabalho, na verdade eles só querem se divertir com suas invenções.

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Clima de cinema

A sala de TV da casa de Eliphas Bueno Resende também tem um toque especial. Além da iluminação e ventilação comandadas por um controle único, as persianas podem ser abertas com um simples toque de botão.

Além disso, o inventor instalou um botão no controle remoto da TV que prepara o ambiente para uma conversa mais íntima ou para uma sessão de filmes. “Eu adaptei um controle remoto dentro de outro. É um controle simples, como esses de carro que liga o alarme”, explica.

Com a TV ligada e o aparelho de DVD preparado, o botão automaticamente fecha as persianas, diminui as luzes e liga o sistema de som, criando o clima ideal.

Resende também adaptou um antigo aparelho de som, um equalizador e pequenas caixas acústicas para montar seu próprio home-theater. “Eu mesmo fiz porque já tinha todas as coisas”, justifica.

Resende não tem formação como técnico ou engenheiro elétrico. Ele conta que começou um curso de eletrônica, abandonado, e também uma faculdade de engenharia. “Tranquei e nunca mais voltei. A maioria dos coisas eu aprendi por minha conta”, conforma-se.

Ele recorda que em 1982, quando trava e vidros elétricos em automóveis eram apenas coisa de cinema, seu Fusca já era digno do seriado “Magnum”. “Na época, eu já tinha porta elétrica, sem maçaneta, vidros que fechavam sozinhos, o rádio desligava e a luz apagava. Como não tinha controle remoto, tinha um timer. Eu apertava um botão antes de sair do carro, e depois de um certo tempo, tudo apagava, as portas travavam”, diverte-se o inventor.

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