Regional

Atentado mata policial de Ubirajara

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Ubirajara - O sargento Fábio Soares, 51 anos, morto em um dos 11 atentados realizados no fim de semana contra bases da Polícia Militar, em São Paulo e no litoral, será enterrado hoje, em Ubirajara (66 quilômetros a Sudoeste de Bauru).

Durante toda a noite de ontem de madrugada, o corpo do policial foi velado no salão nobre da Câmara Municipal de Ubirajara. O enterro está marcado para as 9h e será feito seguindo as honras militares que são oferecidas aos policiais que morrem em serviço.

Soares foi morto na noite de anteontem enquanto trabalhava em uma base comunitária da Polícia Militar em Perus, Zona Norte de São Paulo.

O sargento foi atingido por nove tiros de metralhadora disparados por um grupo ainda não identificado pela polícia. Ele morreu antes de chegar ao hospital. Um soldado que trabalhava com Soares ficou gravemente ferido.

Segundo informações da família, faltavam apenas dez meses para que o policial completasse o tempo de serviço necessário para requerer aposentadoria.

Apesar de trabalhar em São Paulo desde 1991, Soares mantinha sua família em Ubirajara, por uma questão de segurança e conforto.

Além de estar em uma cidade muito mais tranqüila do que a Capital, a esposa Valéria Cristina Silva Soares, 35 anos, convive diariamente com os pais, que moram a cerca de 50 metros de sua casa.

O casal tem uma filha de 9 anos, Carolina, e estava terminando de construir uma casa nova. Soares, segundo informou a família, estava aguardando a liberação do 13.º salário para concluir as obras. Valéria trabalha como professora na rede municipal de ensino.

Um dos membros da família, que preferiu não se identificar, disse que a notícia sobre a morte de Soares chegou por volta das 18h30 de anteontem.

Uma enfermeira, amiga da família, ligou de São Paulo para avisar. Desde então, Valéria está sob efeito de sedativo e quase ninguém da família aceitou falar sobre o assunto.

O corpo do policial só chegou a Ubirajara no começo da noite de ontem. Hoje, será levado por um caminhão do Corpo de Bombeiros até o cemitério municipal, onde receberá as honras militares.

Segundo informou o tenente-coronel José Alexandre Cintra Borin, do 4.º Batalhão da Polícia Militar de Bauru, entre as homenagens estarão uma salva de 21 tiros de fuzil, a cobertura do caixão com bandeira nacional e a leitura de um boletim sobre a morte do policial.

No momento do enterro, a bandeira será retirada de cima do caixão por dois policiais, que irão dobrá-la e depois entregá-la para a família do sargento.

Além de representantes do 4.º Batalhão de Bauru, está confirmada a presença de policiais do 4.º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana, de São Paulo.

Taxista

Antes de ir para a Capital em 1991, Soares já havia trabalhado em São Paulo no início da carreira. Ele ficou na cidade até 1987, quando foi transferido para Ubirajara. Após quatro anos no Interior, pediu para voltar a São Paulo, onde passou a dividir seu tempo entre a função de policial com a de taxista.

Segundo o irmão Israel Soares, há cerca de quatro anos o sargento desistiu do trabalho extra e passou a se dedicar exclusivamente à sua função de policial.

Ele viajava para ver a mulher e a filha a cada 15 dias, em média. A última vez que esteve em Ubirajara foi na sexta-feira passada, para acompanhar o enterro de um amigo. Ele voltou para São Paulo no sábado de manhã e foi morto no domingo.

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