O ingresso para a visitação do Zoológico Municipal de Bauru pode subir de R$ 1,00 para R$ 2,00, caso os vereadores aprovem um projeto de lei proposto pelo Executivo. O reajuste permitirá a manutenção, reforma e ampliação dos recintos do zôo, que continuará dependente de recursos da administração municipal.
Atualmente, a Prefeitura Municipal de Bauru custeia a alimentação dos 1.050 animais e paga o salário dos 40 servidores públicos que trabalham no local. Todo as outras despesas - como compra de medicamentos, ferramentas, materiais de construção - são cobertas com verba do Fundo de Manutenção do Zoológico, que foi criado em 1999, informa o secretário do Meio Ambiente e diretor do zôo, Luiz Pires.
“O ingresso para visitação é a principal fonte de recursos do fundo, cerca de 80% dele. O resto obtemos com a locação do espaço da lanchonete e da loja de souvenir”, explica Pires.
O aluguel dos espaços rende mensalmente ao fundo cerca de R$ 1.500,00 e os pagantes, aproximadamente R$ 8 mil. Eles freqüentam o parque principalmente nos finais de semana. Durante a semana, os alunos que participam de excursões escolares não pagam. No ano passado, 163 mil crianças conheceram gratuitamente os animais do parque e 63 mil pessoas pagaram para visitá-los.
Educação ambiental
“Educação ambiental é um dos nossos fortes. Queremos oferecer aos estudantes uma oportunidade de lazer e educação. O ingresso cobrado nos finais de semana é bem acessível e foi reajustado pela última vez em setembro de 1996. Acho que R$ 2,00 não vão pesar. As crianças com menos de 5 anos não pagam”, enfatiza o secretário e diretor do zôo.
O Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, de Sorocaba, já cobra R$ 2,00 pelo ingresso há pelo menos quatro anos. Ele também dispõe de quase mil animais, numa área inferior ao parque de Bauru.
“A prefeitura (de Sorocaba) cobre todas as nossas despesas. A bilheteria é destinada ao Fundo de Apoio ao Meio Ambiente, que aplica seus recursos na elaboração de projetos específicos, avaliados por uma comissão”, explica a bióloga Cecília Pessutti.
De acordo com ela, a entrada só é franca para menores de 12 anos e maiores de 60 anos. Os pagantes somam cerca de 12 mil ao mês. “Eu acho o valor cobrado (em Sorocaba e Bauru) irrisório”, diz.
Concorda com ela Vanessa Maria Oliveira Fernandes Swenson, que mora na região central de Bauru, e leva seus dois filhos e sobrinhos constantemente ao zoológico.
“Não acho o valor (R$ 2,00) caro, desde que os recursos sejam revertidos em benefício ao próprio zoológico, que é bem organizado e limpo”, comenta.
Já para Cecília Rodrigues Pedrosa, que mora no Parque Santa Edwirges, o reajuste pode impedir os passeios que ela faz com os netos no final de semana.
“Aqui em casa nós somos em nove. Vai ficar caro se tivermos de pagar R$ 18,00 para entrar, mais o valor do ônibus. O duro é que a cidade tem poucas alternativas baratas de lazer. Estivemos no zoológico no final de semana passado e pode demorar para voltarmos”, conta.
Estrutura
Cecília não descarta a possibilidade dos netos continuarem freqüentando o parque somente através das excursões escolares. O zôo dispõe de um Centro de Educação Ambiental com capacidade para atender 100 crianças sentadas durante palestra. Possui também com alojamentos feminino e masculino (com 30 vagas cada um) para aqueles que vão pernoitar nos acampamentos de férias.
Além da área administrativa, veterinária, de nutrição, maternidade e quarentena, o zôo ainda conta com cerca de 40 recintos para aves, 22 tanques para peixes, 23 terrários para répteis e 27 recintos para mamíferos.
“O zoológico de Bauru está crescendo e investindo os recursos do fundo. Estamos terminando o recinto do tigre, para ampliar os banheiros. Desde que ele (o fundo) foi criado, já aplicamos cerca de R$ 200 mil”, reitera Pires.
Por meio do investimento foi possível construir e reformar espaços como os que abrigam os grandes felinos, os chimpanzés e as aves gigantes. Para viabilizar as mesmas obras sem o auxílio da prefeitura, seria necessário cobrar pelo menos R$ 10,00 por ingresso, estima o secretário.
O valor de R$ 2,00, se for aprovado, ainda deve demorar pelo menos 20 dias para vigorar. O projeto de lei referente ao reajuste ainda está tramitando pelas comissões do Legislativo.