Turismo

Vale do Vinho

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Se em Gramado e em Canela não faltam as cucas, as tortas de maçã e as canecas de chope, em Garibaldi, Caxias do Sul e Bento Gonçalves o cardápio é essencialmente italiano, com muita massa, salame, polenta e, claro, vinho.

Embora não faça tanto frio nesta época do ano, quem curte lareira, fogão a lenha e pousadas charmosas, de preferência para serem compartilhadas a dois, tem bons motivos para visitar esse lado da serra.

Embora mais raro do que no inverno, o nevoeiro pode surpreender muita gente que percorre os 150 quilômetros que separam a Rota das Hortênsias da Rota do Vinho. Como tudo nas cidades serranas foi idealizado para agradar os visitantes, não haverá desapontamento com a oscilação da temperatura, com hotéis e pousadas, passeios, limpeza dos parques e qualidade do vinho.

Consagrado pólo turístico do Rio Grande do Sul, a Serra Gaúcha caracteriza-se por ter relevo acidentado, com fortes declives entremeados por vales, montanhas e cânions. Com clima temperado a 900 metros de altitude, no inverno, apresenta temperaturas abaixo de zero grau e nevascas.

Grandes ou pequenas, coloniais ou industriais, porém, todas turísticas, as cidades serranas oferecem boas opções de hospedagem, desde sofisticados hotéis a simples pousadas ou hotéis-fazenda. A gastronomia alemã e italiana evidenciam-se nas mesas fartas e na oferta de produtos coloniais. O inverno e a época natalina oferecem uma sucessão de festas na região.

Quando se fala em vinho no Rio Grande do Sul, a primeira lembrança é de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, mas igualmente são bons produtores os municípios de Garibaldi, Monte Belo do Sul, Farroupilha, Carlos Barbosa e Flores da Cunha. O Vale dos Vinhedos é assim denominado por produzir os melhores vinhos do Brasil, consumidos não apenas no território nacional, mas exportados para diversos pontos do mundo. Para que o turista conheça o processo de produção, as cantinas abrem suas portas no horário comercial.

Herança deixada pelos imigrantes que vieram da Itália no final do século passado, a vitivinicultura é uma tradição familiar na região. E, hoje, a região é responsável por 90% dos vinhos finos do País.

As empresas se modernizaram, buscaram novas tecnologias e substituíram as antigas pipas de madeira por tanques de aço inoxidável. Hoje, Bento Gonçalves, ao lado de Caxias do Sul, forma um dos maiores centros econômicos e industriais do Estado, destacando-se na indústria moveleira e nos setores metalúrgico, plástico e alimentício.

Maria fumaça e Caminhos de Pedra

O passeio turístico de trem a vapor puxado por maria fumaça é uma maneira divertida e diferente de conhecer um pouco da região de colonização italiana no Rio Grande do Sul. O roteiro começa em Bento Gonçalves e vai até Carlos Barbosa, num percurso de 23 quilômetros. Estão previstas três paradas para degustações de queijos, vinhos e espumantes, entremeadas por apresentações de bandinhas e corais típicos.

Orgulho e história

As cidades da Rota do Vinho ficaram ainda mais famosas depois da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”.

Assim como os personagens, seus moradores têm orgulho de sua história, que data de 1870 quando chegaram à região os primeiros colonizadores italianos. Redutos desta época, não podem deixar de ser visitados os prédios da Igreja Matriz de São Pedro e da Sociedade Italiana de Mútuo Socorro Stella D’ Avila.

Já em Bento Gonçalves, distante apenas 10 quilômetros de Garibaldi, são visitas obrigatórias a Capela das Neves, construída em 1907, e os vinhedos cultivados desde 1875 pelas vinícolas Aurora, Valduca e Mônaco.

Depois das visitas aos locais históricos e às vinícolas, a dica é se fartar de massa nas várias cantinas espalhadas pela cidade e a pitoresca Via del Vino, réplica de uma aldeia do Tirol, montada no centro, de cuja fonte forra uma água vermelha, imitando vinho.

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