Pesca & Lazer

História de Pescador: Cadê o fusca?


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Meu saudoso pai, pescador emérito, paciente, não voltava de mãos vazias quando ia pescar lá no Tietê, em ceveiro que mantinha na fazenda do amigo Nê Pereira, em Pederneiras.

Ele, vez por outra, ia até o Batatinha, um sítio perto da cidade, cortar as varas de pesca e depois sentava na área de sua casa, com um bico de lampião aceso, canivete, serra e passava horas e horas preparando o material que ele gostava com pontas bem finas nas varas, e as recuperava com novo ponteiro se elas quebrassem. Sua condução era uma cupê apelidada de “Baratão” Ford 1939, onde o bagageiro era transformado em banco para dois passageiros. O ponto de partida e chegada era no posto de serviço dos filhos, na avenida Rodrigues Alves, esquina com a rua Araújo Leite, onde se reuniam vários amigos amantes da pesca para curtir o fim do dia. Ele sempre regressava no final da tarde, quando começavam a cintilar despretensiosamente as primeiras estrelas.

Nesse dia, lá vem ele pela rampa da avenida e, ao se aproximar da rua Araújo Leite, eis que faz uma manobra inusitada, abrindo à esquerda na contramão e traçando uma grande curva para adentrar no interior do posto. Os que estavam a observá-lo, surpreendidos, procuraram saber a razão dessa manobra. “Ora, vocês não estão vendo que estou rebocando com uma corda o carro de um amigo meu que estava quebrado perto de Guaianás?” Que carro? Atrás só havia um pedaço de corda esfiapada... Após as gozações de praxe, foi-se até o Horto Florestal onde estava o veículo que finalmente chegou.

Mas o pescador não se deu por vencido e, exibindo um samburá com algumas piavas e piaparas, ufando falou: “Esses aqui não arrebentaram a corda”.

Walther Mortari

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