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Para encarar os 'dilúvios'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O que você faz se é surpreendido, em pleno trânsito, por uma chuva? Aumenta a velocidade para chegar logo em casa ou ao trabalho? Atravessa abruptamente as verdadeiras “lagoas” formadas em ruas ou estradas? Anda “colado” no veículo à sua frente? Se sua resposta foi positiva a alguma destas perguntas, saiba que você corre um sério risco de sofrer acidentes.

Andar com o veículo em pistas assim exige, acima de tudo, prudência e prevenção. Exemplo disso é que, das 11 vítimas fatais registradas no trânsito bauruense neste ano, duas ocorreram em vias molhadas. Segundo o capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar de Trânsito, dirigir sob chuva, independente da intensidade e duração, requer uma série de cuidados.

O primeiro deles é conscientizar-se do novo ambiente. Não são poucos os motoristas que, durante chuvas torrenciais, comportam-se como se estivessem rodando em tempo seco. “Eles precisam entender que terão pela frente vias em condições completamente distintas”, destaca Garcia Filho.

Por isso, acrescenta o capitão, logo no início da chuva é imprescindível reduzir a velocidade, acender o farol baixo, ligar o desembaçador dos vidros e dobrar a distância para os veículos à frente.

Isso porque tal período - os 20 primeiros minutos - é considerado um dos mais críticos. “É quando toda sujeira acumulada no chão se mistura à água e o torna extremamente escorregadio”, explica.

É justamente por desobedecerem tais regras básicas, continua Garcia Filho, que a maioria dos motoristas envolve-se em acidentes no mesmo período.“Sob chuva, a visibilidade diminui e os veículos demoram mais a parar, pois os freios perdem eficiência. Por isso, dirigir com responsabilidade nestas situações é, antes de tudo, questão de inteligência”, considera o comandante.

Ainda no começo da chuva, o capitão recomenda atenção redobrada com os pedestres para evitar atropelamentos. “Nessa hora, as pessoas ficam apressadas, desatentas e, freqüentemente, atravessam as ruas fora das faixas destinadas a elas. São momentos potencialmente perigosos”, enfatiza Garcia Filho.

Outro ponto fundamental é identificar as situações em que a água poderá comprometer a dirigibilidade do veículo, um dos mandamentos do bom motorista. Tal providência é especialmente útil para encarar os verdadeiros “rios” formados nas vias de Bauru em dias de chuva intensa.

Para o comandante da PM, a água já será prejudicial a partir do momento em que enxurradas estiverem presentes e o motorista não conseguir visualizar a pista de rolamento. “Se encontrar uma situação como esta, nunca tente forçar passagem. É recomendável procurar um caminho alternativo ou parar em algum lugar e aguardar a chuva diminuir”, orienta Garcia Filho.

O capitão adverte que, nestas ocasiões, o “espírito aventureiro” poderá custar caro ou até a vida do dono do automóvel. “O veículo pode aquaplanar, ou seja, ser vítima de um fenônemo que provoca a perda de contato do pneu com o solo, o que o deixará sem controle e provocará um acidente sério”, alerta o PM.

Além disso, há o risco de o automóvel encalhar em meio à correnteza. Se isto ocorrer e o motor “morrer”, jamais tente acioná-lo novamente, pois poderá fazê-lo “engolir” água e causar uma grave avaria mecânica.

“É um problema chamado de calço hidráulico, dano que pode custar mais de R$ 5 mil para ser reparado”, explica o mecânico Afonso Carlos Telles Nunes.

Por isso, continua Afonso, é preferível abandonar o veículo e - em situações mais críticas - até deixá-lo inundar do que tentar sair com ele nessas condições. “É mais fácil acionar um guincho ou consertar a tapeçaria que um motor quebrado pela entrada de água”, podera o mecânico.

Uma dica final do comandante envolve a relação tempo/necessidade. Segundo Garcia Filho, outra maneira de precaver-se contra os riscos das chuvas é evitar ao máximo utilizar o veículo.

“Só saia de casa neste clima se for absolutamente necessário. Caso não tenha pressa, permaneça na residência, pois quanto menor a quantidade de carros na rua, menor a chance de acidentes”, conclui.

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