Os 32,2 ºC registrados pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) para a cidade de Bauru no fim da tarde modificou o andamento da Grand Expo Bauru 2003. Animais, vendedores, participantes, parque de diversões, enfim, todo o Recinto Mello Moraes teve um dia diferente hoje (8), marcado pelo intenso calor.
O primeiro aspecto notável é o maior número de pessoas circulando pela feira. "Hoje o movimento está maior", comenta o porteiro do estacionamento do recinto, Paulo Sérgio Pereira Costa. "Uns 60% mais ou menos, em relação aos outros dias", completa.
O movimento é percebido também pelo sorveteiro Valdir Ferreira Bonfim, que estima em 100% a melhora de suas vendas no dia. "A feira como um todo está fraca. Mas hoje melhorou muito." Uma das responsáveis pela bilheteria do Ita Center Park, Priscila da Costa Marona Felipe, fica em dúvida quanto ao fator determinante do movimento. "Pode ser que esteja mais movimentado por hoje ser sábado. Mas acho que não. Sábado passado estava frio e ninguém veio", conclui.
Outra bilheteira, Walzira Helena Senger, atribui a alta freqüência de pessoas a hoje ser o sexto dia útil do mês. "Ontem foi o pagamento. As pessoas receberam e agora estão vindo pra cá", considera. Senger estima que o movimento no parque de diversões esteja 90% maior do que o registrado durante a semana.
Sofrimento
Há, porém, quem não esteja feliz com a temperatura. São os tratadores de animais. "Os cavalos ficam muito estressados com o calor", afirma Lenilson de Souza, do Centro de Treinamento Lub Ranch. "Precisamos colocar uma capa para manter a temperatura normal."
O mesmo acontece com os bovinos. Para o tratador Luiz Silva, da Fazenda do Sabiá, o calor é muito ruim para os animais. Se hoje fosse dia de julgamento, "seria péssimo, é melhor quando está nublado, mais fresco".
Entre os ovinos, há tanto indiferença quanto preocupação. Para as raças com lã no corpo tanto faz a oscilação da temperatura. "A lã protege do frio e do calor", explica José Raimundo Ananias, tratador da Fazenda Grama Roxa. Já os animais da raça Santa Inês, deslanados, tem a mesma reação de eqüinos e bovinos. Abeu Balbino, tratador da Fazenda Cabanha Boa Fé, critica o material utilizado na construção do teto do Espaço Ovinos do recinto. "A folha de zinco esquenta, fica muito abafado e os animais sofrem."
Como fugir do calor parece a grande questão. Alguns com sorvete, outros brincando no parque e alguns, ainda, jogando futebol no espaço de julgamento de animais, que hoje não está sendo utilizado. Para o tratador de cavalos Lenilson de Souza, "não só os animais, mas as pessoas também ficam meio estressadas com o calor".