Saúde

Campanha incentiva prevenção do câncer

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Tarcísio Meira prepara-se para um exame de toque retal e Débora Falabella verifica o resultado de seu papanicolau. Os filmes, que estão sendo exibidos em emissoras de televisão de todo o Brasil, fazem parte de uma campanha nacional de prevenção aos cânceres de próstata e colo de útero lançada pelas “Filantrópicas do Câncer” - entidade que reúne 32 dos principais centros de tratamento oncológico do País.

Com a assinatura “Câncer não é ficção, sua prevenção também não”, os filmes trazem os atores interpretando pessoas reais que se preocupam com a saúde.

Os cânceres de próstata e colo de útero podem ser facilmente prevenidos ou curados quando se realiza os exames específicos regularmente. No entanto, as duas doenças matam mais de 12 mil brasileiros por ano.

O câncer de colo de útero, por exemplo, demora cerca de oito anos para chegar a um estágio avançado. Na imensa maioria dos casos, ele começa de uma lesão benigna, que poderia ter sido tratada com medicamentos simples ou cauterizações se fosse diagnosticado por um exame de papanicolau.

O problema acontece justamente porque a mulher não faz o exame regularmente e a ferida vai piorando, até se transformar num tumor maligno. Segundo especialistas, mesmo quando já existe o câncer, se ele for diagnosticado ainda no início, a chance de cura é de 90%, tanto para o útero quanto para a próstata.

Ainda assim, o número de homens e mulheres que ignora a prevenção e não realiza os exames preventivos é muito grande, principalmente entre os homens. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que 4.110 brasileiras e 8.230 brasileiros devem morrer este ano vítimas dessas duas doenças.

Segundo a assessoria de imprensa da “Filantrópicos do Câncer”, os filmes serão veiculados por pelo menos dois meses, mas a campanha será estendida com outras ações.

Próstata

De acordo com o urologista Alvaro Sarkis, médico do Hospital do Câncer de São Paulo, um a cada seis homens acima dos 50 anos vai desenvolver o câncer de próstata. Entre aqueles que fazem o exame de toque retal anualmente, apenas três homens em cada 1.000 vão apresentar a doença. Nesse grupo, a possibilidade de cura é de 95%.

Em contrapartida, homens entre 50 e 70 anos que nunca fizeram o exame preventivo têm 3% a 6% mais riscos de desenvolver a doença. Esse risco aumenta ainda mais para aqueles cujos parentes de primeiro grau já tiveram câncer de próstata e para a população negra.

O médico salienta que há dois tipos de exames preventivos para este tumor. Um deles é o toque retal - o médico toca a próstata pelo ânus. O outro é o teste de PSA - um exame de sangue em que pode ser detectada uma substância produzida pelos tumores. É importante ressaltar que um exame não anula a necessidade de fazer o outro.

O tratamento é feito com cirurgia (geralmente a retirada total da próstata) e com braquiterapia. Sarkis salienta que em 40% dos homens a cirurgia causa impotência sexual, mas o problema pode ser revertido posteriormente com tratamentos específicos.

Útero

Dados do Inca indicam que o câncer de colo de útero é o terceiro mais comum na população feminina. Ele representa cerca de 10% de todos os tumores malignos em mulheres. Segundo as “Filantrópicas do Câncer”, 99% dos casos estão relacionados à infecção pelo papiloma vírus humano (HPV), que pode ser facilmente identificado pelo exame de papanicolau.

A realização periódica do exame permite reduzir em 70% a mortalidade pela doença na população de risco. O exame é feito em consultas de rotina. Com utensílios específicos, o médico coleta amostras de células do colo do útero. O procedimento é totalmente indolor e pode ser feito gratuitamente em qualquer unidade de saúde.

O exame deve ser feito por todas as mulheres que têm ou já tiveram atividade sexual, principalmente entre os 25 e os 59 anos de idade. O ideal é que ele seja realizado cerca de 10 dias após a menstruação.

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