Já foi o tempo em que o inglês e o espanhol eram tidos como idiomas estrangeiros. Obviamente continuam sendo, mas para efeito de complemento curricular, essas duas línguas são de domínio obrigatório pelo profissional dos mais diversos setores. Língua “estrangeira”, hoje, é representada, por exemplo, pelo alemão, japonês e, cada vez mais, o chinês, mais especificamente o mandarim. É verdade que existem mais cidadãos chineses aprendendo inglês do que o número de pessoas residentes nos Estados Unidos: eles não querem que o idioma seja um empecilho à esmagadora expansão comercial que estão imprimindo ao mundo.
Os números da economia chinesa são impressionantes e, hoje, interferem direta ou indiretamente nos nossos negócios e, em última instância, nos nossos destinos. Muitas empresas brasileiras já importam partes ou produtos completos que mandam fazer naquele país, com evidente prejuízo à indústria nacional e a eliminação de um número ainda não sabido, mas importante, de postos de trabalhos. Temos encontrado, pessoalmente, forte concorrência chinesa no exterior em todos os segmentos, dos têxteis ao metalúrgico.
A voracidade chinesa e asiática, de um modo geral, na área têxtil devastou a indústria chilena. A China ameaça paraíso das “maquilas” no México: cifras do governo mexicano indicam que desde 2001, perto de 700 das 3.700 “maquiladoras” fecharam as portas, com a perda de mais de 250 mil empregos. Um exemplo dos prejuízos do avanço amarelo pode ser demonstrado na questão dos calçados. Em 1985, o Brasil exportava 113,2 milhões de pares de sapatos para os EUA, o maior mercado mundial. No mesmo ano, a China vendeu 20,8 milhões de pares aos norte-americanos. Cinco anos depois, os chineses já exportavam mais que o dobro dos brasileiros. Em 2001, a diferença foi de 94,9 milhões de pares do Brasil e 1,1 bilhão de pares da China. As vendas de couro e produtos manufaturados de couro pela China somam US$ 11,5 bilhões enquanto as brasileiras estão em US$ 2,5 bilhões.
Mesmo com as perdas causadas pela pneumonia atípica asiática ao setor de serviços, a China deve alcançar um crescimento de 7,5% este ano. O estoque de investimento estrangeiro direto saltou de US$ 10,5 bilhões em 1985 para US$ 447,9 bilhões em 2002. As empresas transnacionais respondiam por 9% das exportações chinesas em 1989 e passaram para 48% em 2001. Felizmente o desenvolvimento chinês não é só ameaça: em três anos, a China passou de 12.º principal mercado das exportações brasileiras para 2.º, ultrapassando parceiros tradicionais do Brasil como Argentina, Holanda e Alemanha. O gigante asiático é a estrela dos chamados novos mercados, que ajudaram o País a registrar um salto no superávit da balança comercial. É certo que o grosso das exportações brasileiras para a China ainda é de produtos básicos, como a soja, que, aliás, a China reclama que está indo muito suja de terra. Mas esses produtos perdem espaço para manufaturados e semimanufaturados, de maior valor agregado. Em 2000, por exemplo, 68,2% das exportações brasileiras para a China eram produtos básicos.
Hoje, esse número caiu para 54,9%. Neste ano o comércio bilateral deve chegar a US$ 5,5 bilhões e, em 2005, poderá atingir US$ 10 bilhões. Portanto, quem ainda não fala chinês, é melhor, pelo menos, ir aprendendo a comer com aqueles “pauzinhos” (hashis, mas em japonês!). (Paulo Roberto C. da Silva)