Tribuna do Leitor

Qual o seu papel, político?


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Neste ano de 2003 não houve outros fatos que nos chamassem mais a atenção do que as denúncias de corrupção e mau uso do serviço público, praticados por vários representantes políticos e funcionários públicos da cidade de Bauru. Nos meios de comunicação, muito se ouve falar da grave crise ética que se abate sobre a prefeitura e Câmara Municipal. Discussão válida, visto que alguns de nossos representantes políticos, que deveriam honrar as cadeiras das instituições democráticas, cedidas temporariamente por nós eleitores munícipes, perdem-se em ilusões vaidosas que os conduzem a negligenciar o importante papel de zeladores da polis bauruense.

Tal negligência tem afetado sobretudo o crescimento qualitativo de nossa cidade, como pode se observar nas recentes pesquisas sobre o desenvolvimento socioeconômico das cidades brasileiras. Verificou-se que problemas ligados à infra-estrutura, os quais deveriam ter sido resolvidos há pelo menos dez anos, continuam a atormentar milhares de pessoas e comprometer o meio ambiente, como é o caso do famigerado tratamento do esgoto. A transferência da atenção política para setores clientelistas impede que nossa cidade se desenvolva economicamente, já que mesmo se apresentando como centro estratégico no que diz respeito ao abastecimento e circulação de produção em nível regional, estadual e mesmo nacional, esta praticamente não recebe incentivos dos órgãos públicos, que parecem não estarem cientes da importância de se desenvolver projetos políticos que viabilizem formas alternativas de atração de investimentos para as áreas industrial e comercial.

Percebe-se, também, pouca preocupação dos representantes políticos quanto à urbanização espacial de Bauru, que cresce de forma aleatória, ultrapassando os limites do perímetro urbano. Os efeitos podem ser vistos nas enormes áreas inabitadas dentro da cidade, nas irregularidades dos serviços básicos que não conseguem acompanhar tal crescimento, na falta de segurança e dificuldade de locomoção dos citadinos destas regiões. Ainda sobre a organização espacial, constata-se a falta de discussão acerca da condição sócio-urbana dos bairros periféricos, cuja população concentrada aí vem sofrendo há anos as consequências de políticas fechadas e mesmo discriminadoras. A infra-estrutura irregular e a inexistência de projetos sociais que apóiem a cultura, o lazer e o bem-estar nessas regiões constrange milhares de famílias que se vêem obrigadas a buscar alternativas fora do orbe político para dar conta de suas necessidades. É comum observar em alguns bairros pessoas “pavimentando” ruas esburacadas, ou contratando seguranças (motoqueiros) para fazer uma espécie de ronda noturna. Há muitos casos em que grupos de moradores, para colocar em prática programas sociais ou de lazer, recorrem a empresários, ONGs e igrejas, e outros em que famílias de baixa renda acabam por se responsabilizarem pela limpeza destes bairros, recolhendo o lixo das casas e de terrenos baldios, sem nenhum apoio político quanto ao desenvolvimento de projeto comunitário, que dê condições a estas famílias para trabalhar o reaproveitamento e a venda do lixo reciclável.

Se com todos estes problemas citados “algumas pessoas” continuarem a negligenciar o papel democrático do representante político junto à comunidade citadina, para somente satisfazer interesses próprios ou propiciar com privilégios uma clientela particular, apenas demonstrarão imaturidade cidadã, incapacidade moral para seguir trabalhando os princípios da democracia, em nossa Bauru já tão prejudicada!

Silvia Aparecida Guerra - RG 28.141.947-4

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