Sem expectativa de que o governo federal aumente o teto financeiro no próximo ano, a Secretaria de Estado da Saúde vai redistribuir as verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), retirando recursos de algumas unidades e repassando-os a outras. O coordenador da Saúde no Interior, Nelson Maurício Nogueira Pesciotta, explica que as verbas serão realocadas de acordo com a demanda. A medida poderá beneficiar o setor de oncologia do Hospital Manoel de Abreu.
Pesciotta que esteve em Bauru ontem, visitou hospitais e iniciou o mapeamento das necessidades da Diretoria Regional de Saúde (DIR-10). Ao lado do deputado Pedro Tobias (PSDB) e Affonso Viviane Júnior, dirigente da DIR, ele explicou que a intenção da secretaria é adequar o atendimento do SUS às necessidades dos usuários, através da ampliação dos serviços onde a demanda é maior.
Outra finalidade da realocação de verbas é evitar que os pacientes precisem procurar várias unidades de saúde para ter tratamento completo. Pesciotta afirma que os recursos para a saúde são reduzidos e diminuem a cada ano. “Precisamos adaptar as demandas à racionalização otimizada dos recursos nos hospitais e serviços para que as pessoas sejam atendidas”, diz.
Questionado se esta redistribuição de verbas pode gerar disputa ou concorrência entre hospitais, Pesciotta responde que o mais importante é o paciente. “A lógica que deve valer é a do usuário, e não a do prestador de serviço. O que for melhor para o doente será feito”, afirma.
A unidade de oncologia do Hospital Manoel de Abreu pode ser beneficiada com a realocação de verbas entre hospitais do Estado. Se a DIR confirmar que em Bauru existe uma demanda para a ampliação do serviço, ou seja, que diversos pacientes de câncer estão procurando hospitais em outros municípios, os recursos poderão ser repassados para o hospital.
Pesciotta explica que o Manoel de Abreu está incluído em um sistema de rede em que o paciente tem a garantia de ser atendido desde o diagnóstico da doença até a recuperação. “Isto ainda é um pouco desorganizado. O paciente recebe o diagnóstico em um lugar, faz a quimioterapia em outro, cirurgia em outro. O doente já está com a saúde comprometida e essa via-crucis é difícil”, declara.
A intenção da Secretaria de Estado da Saúde é que hospitais superespecializados também atendam serviços secundários, de forma que o paciente que moram em cidades periféricas do hospital de referência (mais especializado) possam fazer a quimioterapia, por exemplo, em sua própria cidade.
“A mesma lógica funciona para Bauru. Na medida em que melhora o serviço oncológico, a população da região é atendida aqui. Isto significa tirar dinheiro de alguns lugares, por conta dos doentes da região que estão sendo atendidos em outros hospitais. A DIR vai mapear esta demanda e quanto representa em dinheiro, e estes recursos serão deslocados para Bauru”, explica Pesciotta.
No último sábado, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), responsável pelo Manoel de Abreu, inaugurou a unidade de oncologia “Luís Fernando Almeida Maia”, com capacidade de 27 leitos adultos e dois infantis. A direção da instituição pretende reformar o ambulatório e tornar o hospital um centro de referência de câncer na região.
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Demanda
A transferência dos recursos entre hospitais vai necessitar a aprovação da Comissão de Intergestores, órgão da Secretaria da Saúde que reúne o dirigente estadual e os municipais. De acordo com o dirigente da DIR-10, Affonso Viviani Júnior, mesmo antes do mapeamento definitivo das maiores necessidades em Bauru, é notável a demanda de exames de ultrasonografia, para diagnóstico, e internação para pacientes que passaram por cirurgias eletivas de média complexidade.
No atendimento ambulatorial, as áreas que a DIR tem notado maior demanda são cardiologia e ortopedia. O principal motivo pelo qual a reorganização dos recursos do SUS é necessária, segundo Nelson Pesciotta, é que o Ministério da Saúde não deve aumentar o teto financeiro para o setor no próximo ano.
Com isso, as cotas de serviços como exames e cirurgias nos hospitais permanecem inalteradas, assim como as filas de usuários do SUS que aguardam por procedimentos.