Os dados mais recentes confirmam a passagem da fase do arrocho monetário e da queda da atividade para um período de retomada de algum crescimento econômico de nossa economia. As previsões dos principais analistas apontam para um aumento da ordem de 3% do PIB no ano próximo.
Este será o crescimento possível em função das restrições fiscais e monetárias que fazem parte do quadro macroeconômico definido pelo governo. Outro grande limitador do crescimento em 2004 será o nível de renda extremamente baixo do trabalhador brasileiro e o quadro de desemprego que prevalece hoje.
Do lado positivo o item mais importante a ser monitorado será o comportamento de nossas exportações. Seu crescimento em 2003 foi um dos únicos fatores de impulso da atividade produtiva de nossa economia. No ano próximo nosso comércio exterior continuará a ter uma influência decisiva na definição do ritmo da recuperação econômica.
Os resultados de nossas exportações neste ano surpreenderam a todos. Empresários deixaram de realizar vendas externas ainda melhores por não terem previsto o aumento da demanda de seus produtos. Já analistas econômicos erraram de forma importante suas previsões e passaram o ano corrigindo suas estimativas.
A principal causa deste fenômeno foi certamente o aumento das importações chinesas de produtos dos quais o Brasil é um dos fornecedores mais importantes. O peso da China, hoje um dos elos mais importantes da cadeia de comércio internacional, foi decisivo na formação dos preços internacionais de produtos como minério de ferro, commodities agrícolas, aço, automóveis e outros produtos de nossa indústria.
Para se ter uma idéia da surpresa causada pelas compras chinesas, entre os maiores participantes deste grande bazar que é o comércio internacional hoje, basta ler relatórios sobre o que aconteceu com as exportações em países como a Coréia, Taiwan e Japão. Este mesmo processo de correções, quase mensais, dos números de exportação também está presente.
A economia chinesa tem sido a grande força do crescimento do comércio internacional. Para o próximo ano, espera-se uma pequena redução da atividade na China em função dos problemas de super aquecimento que já começam a aparecer. Mas, para 2004, a grande aposta está na performance da economia americana, que vem dando demonstrações inequívocas de estar se recuperando dos problemas dos últimos anos.
A volta do crescimento nos Estados Unidos – prevê-se um aumento do PIB da ordem de 4 a 5% - combinado com a manutenção da atividade na China pode criar as condições para um outro ano extraordinário de nosso comércio exterior. Nestas condições não seria surpresa se nossas exportações passarem de US$ 80 bilhões.
Este cenário seria perfeito se não fosse a ameaça de juros mais altos e aumento do déficit em conta corrente na maior economia do planeta.
O autor, Luiz Carlos Mendonça de Barros, é economista, publicador do site e da revista Primeira Leitura, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES.