Jaú - O delegado Edmilson Marcos Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), encerrou ontem o inquérito policial que investigava a participação do mototaxista J.C.R. (a polícia informou apenas as iniciais do nome dele), 35 anos, no assassinato de Wanessa Martins de Oliveira, 18 anos, ocorrido em junho último, em Jaú (47 quilômetro a Leste de Bauru). Também ontem, Bataier requisitou da Justiça a expedição de um mandado de prisão preventiva contra o acusado.
De acordo com o delegado, ao longo do processo de investigação teria ficado clara a participação decisiva de R. na morte da garota. Bataier informou que praticamente todos os argumentos usados por R. para se defender da acusação “caíram por terra” após depoimentos de amigos e parentes da vítima e também de outras pessoas que de uma forma ou de outra tiveram contato com o acusado e a vítima. Wanessa foi morta por estrangulamento.
R. está preso na Cadeia Pública de Jaú desde o dia 16 de setembro. Caso a Justiça aceite o pedido de prisão preventiva, o acusado continuará preso e só deverá ser libertado caso consiga um habeas corpus, por meio de um advogado, ou seja declarado inocente ao fim do processo.
Com base no inquérito que foi encerrado ontem, Bataier pediu o indiciamento do acusado por homicídio qualificado, cuja pena varia de 13 a 30 anos de prisão.
Segundo o delegado, R. tem um perfil violento e, em liberdade, poderia coagir as testemunhas arroladas no processo. “Também pela gravidade do fato e pela certeza de que ele está envolvido no crime é que eu estou pedindo a prisão preventiva do acusado”, disse Bataier.
Pagode e churrasco
O crime aconteceu no dia 7 de junho deste ano. Na noite anterior, Wanessa esteve em uma festa no bairro São José. Entre um pagode em um bar e um churrasco na casa de amigos, ela atravessou a madrugada se divertindo.
Pouco antes de amanhecer, segundo informou testemunhas, ela teria deixado o bairro em companhia do mototaxista R. e depois disso não foi mais vista.
Quando o corpo da garota foi encontrado, o pescoço dela estava preso a uma corda elástica, popularmente conhecida por aranha, mais usada em motos para prender caixas ou qualquer outro material atrás do condutor.
O corpo estava em um canavial, próximo à rodovia que liga Jaú a Itirapina, cerca de três quilômetros de distância da cidade. Wanessa estava seminua e com os braços e pernas amarrados.
A partir da localização do corpo, a DIG iniciou investigação e passou a ouvir as pessoas que estiveram com Wanessa pouco antes dela ser assassinada.
Entre um depoimento e outro, os policiais chegaram a R. como principal suspeito. Foi pedida a prisão temporária dele e desde então está detido em Jaú.
O acusado nega que conhecia Wanessa. Ele alegou ainda que na noite do crime estava com uma outra mulher e que não teria ido a nenhum show de pagode no bairro São José.
De acordo com Bataier, as afirmações de R. foram desmentidas por outras pessoas que prestaram depoimento na DIG.
Segundo o delegado, a mãe da garota teria declarado que o mototaxista chegou até mesmo a freqüentar a casa dela. Por isso, segundo ela, não procede a alegação de que ambos não se conheciam. A informação foi confirmada por uma amiga de Wanessa à polícia.
Bataier descobriu ainda que R. não esteve com a mulher que ele alegou ter estado. Além disso, o mototaxista teria afirmado que nunca esteve no bar onde foi realizado o show de pagode.
A declaração, segundo Bataier, foi rebatida pelos depoimentos dos músicos, do proprietário do bar e dos funcionários do estabelecimento.